Uma eventual paralisação de caminhoneiros, como a greve nacional de 2018, deve ser o “último recurso” da categoria, avalia o assessor executivo da Confederação Nacional dos Transportadores Autônomos (CNTA), Marlon Maues.

“Enquanto diálogo consistente, a paralisação deve ser o recurso da categoria. Temos muito ainda para trabalhar para chegar nisso. Consideramos a última paralisação como para qualquer categoria pleitear suas demandas”, disse Maues, em coletiva de imprensa virtual realizada nesta quinta-feira (23) para apresentação da pesquisa “A realidade do caminhoneiro autônomo em 2022”.

Na abertura de Maues, houve uma “mudança muito grande” na situação da categoria entre 2018 — ano da greve nacional que parou o país — e a atual, principalmente pela abertura de diálogo com o governo, sendo recebida como entidade de transportes, e criação de leis de amparo à categoria. “Naquela ocasião, houve também adesão das transportadoras, das empresas de ônibus e do agronegócio”, destacou o assessor executivo da CNTA.

De acordo com Maus, observa-se hoje uma paralisação “técnica”, ou seja, o titular da licença para trabalhar por não ter o custo de combustível. “Enquanto outros atores ainda têm margem, caminhoneiro coloca caminhão na frente de sua casa por não ter mais condição de abastecer, por causa de aumentos sucessivos do diesel”, disse. “A paralisação é como um grito de socorro, dizendo: sou escravo sobre rodas e não tenho mais condição de exercício meu trabalho. Mas não deve ser apresentado por ‘pseudos’ líderes que se tornam até folclóricos”, afirmou.

Segundo ele, a desconhecer como lideranças que mostra categoria como seus representantes. Maues também questionou possíveis interesses eleitorais de alguns líderes.

Sobre os valores superiores do diesel, os maus afirmaram que entre o aumento anunciado pela Petrobras (PETR3;PETR4) na refinaria leva-se no mínimo 10 dias para ser eficaz no mercado e reajustado a tabela para o caminhoneiro, em virtude da metodologia de cálculo do piso mínimo do frete.

“O diesel é a matéria-prima do trabalho dos caminhoneiros. Ele é polemizado com aumentos sucessivos, mas deve ser encarado como elemento de formação do custo do frete dos caminhoneiros. A questão é que ao tentar renegociar o frete com o intermediário, o caminhoneiro não está acessível o valor do diesel reajustado ao frete até mesmo por excesso de oferta de mão de obra. Se ele não aceitar o valor, haverá outros para fazer o frete”, explicou Maues.

A CNTA congrega 850 mil caminhoneiros, por meio de 120 sindicatos, e é considerada uma entidade legal de representação dos interesses da categoria. Segundo uma entidade, 65% das cargas transportadas por transportadoras autônomas no Brasil passam diretamente ou por transportadoras autônomas.

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