O Coral Vozes da Comurg é composto por quinze garis da Companhia de Urbanização do Município de Goiânia. De acordo com a prefeitura, esse é o primeiro coral do país formado por trabalhadores da limpeza urbana.

“É o primeiro grupo de coral do Brasil formado por garis. Eu faço parte e toco piano, nunca fiz aulas, mas sempre tenho muita vontade de aprender e é isso que vejo nos trabalhadores, eles têm muita garra e força de vontade. A regência é feita por Francis Maia, foi ele quem idealizou o projeto e merece todo o nosso agradecimento”, diz o coordenador do coral e músico, Silvio Souls.

Assim sendo, Silvio é gari e conta que organiza os ensaios, faz exercícios de canto e de respiração dos integrantes também, que apresentam-se uniformizados. Além disso, como práticas de musicalidade, ele ensina com suas experiências.

O grupo começou há quatro meses, tendo sua primeira apresentação no Dia do Gari, 16 de maio. Dessa forma, no repertório do grupo de garis, incluíram músicas populares e clássicas como “Oh Happy Day” de Edwin Hawkins.

Invisibilidade

Silvio também conta que o coral surgiu com o objetivo de dar oportunidade aos trabalhadores da limpeza de Goiânia. “Muita gente vê o gari como invisível, vamos dar vozes aos garis vestidos de garis. O coral é um movimento para mostrar a força deles e que merece respeito e reconhecimento por sua profissão tão importante quanto qualquer outra”, o coordenador.

Os ensaios acontecem duas vezes por semana, tanto presenciais quanto online, sempre após o expediente de trabalho. O grupo tem como objetivo alcançar 100 integrantes para levar cultura, entretenimento, arte e música para a população que tende a ignorar-los.

“Quando estão bem. Muitos até se emocionam”, ressalta Silvio.

Apresentações

Garis

Prefeitura de Goiânia/Divulgação

O grupo já apresentou mais de 10 vezes ao redor de Goiânia. Assim, participantes do Coral garis, jardineiros, coletores, varredores, marceneiros e operadores de máquinas que trabalham diretamente na limpeza e manutenção da cidade.

“Toda vez que a gente faz uma apresentação, nos sentimos gratos quando vemos o pessoal aplaudindo e cantando com a gente. Já temos mais de 5 convites em outras cidades e outros estados. Estamos muito felizes. Inclusive, contata contato com um produtor internacional nos parabenizando”, Silvio contata.

Gari e cantor sertanejo

Divulgação/Comurg

Emilio Pereira, de 39 anos, é gari há 12 anos. Além disso, ele é cantor sertanejo. “Muitas pessoas nos discriminam, mas a gente zela do meio ambiente. Eu faço com muito amor. Não é fácil, a gente não ganha tão bem, mas eu adoro trabalhar como gari e a música me ajuda muito, porque quem canta seus machos espanta”, disse.

Emílio cantava sertanejo com seu pai desde criança e se mudou de Imperatriz no Maranhão para Goiânia há 25 anos. Atualmente, ele trabalha na limpeza pública, faz serviços de varrição das ruas, limpeza de praças, opera máquinas de limpeza, faz roçagem na capital e canta em barzinhos.

“Eu canto desde criança. Já cantei em vários barzinhos, adoro cantar, não sou profissional ainda, mas é um sonho que eu tenho. O brasileiro está sempre atrás do sonho”, contorno.

Apesar de amar a música, Emilio conta que passou um tempo sem cantar por conta de um trauma causado por um assalto no Maranhão. Na ocasião, ele foi cumprido e dois dentes, o que o fragilizou.

“Eu perdi parte da minha vida, perdi o meu sorriso. Agora que eu voltei a recuperar. Consegui ajuda com um consultório e estou pagando da forma que eu posso. Já estou bem melhor e voltei a cantar”, disse.

“É um sonho desde criança, eu sempre quis levar a música a sério, mas não tenho uma estrutura boa. Não tenho um violão bom, caixa de som e isso não é barato. No momento, estou passando por um momento difícil, mas não vou desistir jamais”, disse.

Fonte: G1