Crédito: Marco Ankosqui

Mauricio Colombari Sócio na PwC Brasil e líder de ESG. (Crédito: Marco Ankosqui)

A agenda já teve diversos nomes no decorrer do tempo. Já foi de responsabilidade ambiental, expandiu socioambiental, virou sustentabilidade e agora se tornou ESG governança (ambiental, social). Mas o fato é que o tema é antigo no discurso e também na prática para um grupo de empresas. Entre elas a PwC, que tem uma equipe dedicada à pauta há mais de 20 anos. Recentemente, assim como está no mundo, o assunto ganhou ainda mais conhecimento. Para atender a demanda de consultoria que ela tem atuado tanto para empresas que se repetem ou suas estratégias são boas, como no papel de editora do mercado com a publicação de pesquisas que o tema que ou traz como protagonista. Entre macroconclusões de questões dos estudos afirmados, Mauricio Colombari na PwC Brasil e de ESG, é possível afirmar que os CEOs brasileiros líderes estão informando sobre a agenda da empresa, mas que empresas e o País ainda têm muito a avançar, inclusive em básicos como ética e moralidade. “Existem empresas que mentem não sabiamente sobre ESG e com elas diálogo possível”, disse Colombari à DINHEIRO.

É senso comum que o ESG está na pauta. Mas como boas práticas estão, de fato, sendo executadas na tomada de decisões?
Costumo dizer que o Brasil tem dois mundos . Um grupo tem uma agenda contínua cujas práticas e relatórios se comparam às empresas dessa temática no mundo. Nesse, o principal desafio é conseguir transitar bem nas metas e medidas para cumprir os compromissos assumidos. Mas para uma boa parte das empresas brasileiras a luta ainda é pela sobrevivência e o ESG é luxo. Há um grande abismo entre essas duas realidades. Em paralelo, o País também tem suas metas.

Para o segundo grupo vale o velho em que o ESG é custo dilema e não obrigação?
Sim. Enxergam custos e consideram como consequências de terem que incorporar mais em suas estratégias, sejam ambientais, sociais ou da cadeia de valor. O grupo é comum o pensamento de que o E NesseSG é importante, mas não é prioritário. O que tentamos mostrar são os outros lados, como o fato de uma agenda ser um atrativo para talentos e ter um impacto cada vez maior nos consumidores. Adotar o ESG pode ser um risco financeiro no curto prazo, mas não adotá-lo é um risco de sobrevivência no longo.

A Pw80C pesquisa % que mostra que pensa os aspectos relevantes para o avanço da agenda ESG. Esse dado referenda o hábito do “o que eu ganho com isso brasileiro”?
É o velho me ajuda que eu te ajudo. Quando sobre os países ESG e impostos, vemos que alguns países E uma forma de falar para incentivar a promoção energética é tributar mais os recursos fósseis e aplicar os recursos em recursos renováveis. Agora, no Brasil ainda não resolvemos questões básicas como uma reforma tributária. Imagina então contestar em como usar tributos para alavancar uma agenda. Outro ponto é a questão da transparência. Temos empresas estruturadas, do ponto de vista de planejamento tributário, de uma forma que não é ilegal, mas é imoral. Aquelas que faturam alto e pagam tributos irrisórios ou que enviam recursos para paraísos fiscais. Na pesquisa, descobrimos que 75% das empresas não são transparentes em aspectos tributários, mesmo que 94% dos participantes consideram riscos reputacionais relacionados a essa falta de transparência.

Na lógica do “eu te ajudo você me ajuda”, o princípio do Acordo de Paris em que os países ricos dariam suporte financeiro aos mais pobres na transição energética ficou no discurso. A economia verde se estabelecer sem esse arranjo?
Sabemos que há um grande estoque de gases de efeito estufa na atmosfera que vão demorar para ser absorvidos. O que os países em desenvolvimento não colocam é a mesma forma que os elaborados na composição do estoque e mesmo assim precisarão como contas. O segundo ponto são regiões menos importantes para o que são globais são as mais impactadas, como [as da] África e Brasil. Na teoria há o compromisso dos mais ricos em financiar a transição energética, mas na prática não é isso que vemos. Eles argumentam que o Brasil, por exemplo, precisa de um plano contra a mudança, apresentará o futuro para depois o cheque.

Voltando a um ponto que você mencionou: como melhorar o compromisso com a transparência?
Costumo dizer que o G está no final da sigla por mero acaso. Ela Deveria vir em primeiro. Se para não ajudar a cumprir não dá a conversar. E algumas empresas se declaram transparentes em maneira negativa de só reportar as frentes nas quais as empresas vão bem, e uma de resistências que podem ser vistas. Para resolver isso, acreditamos na forma como os temas ESG serão divulgados.

Há riscos nessa postura de empresa perfeita?
Se a empresa assume os riscos publicamente, ela também tende a comunicar as ações para mitigá-los. Já que os possíveis aspectos positivos serão mais duramente de acidentes que possam ser divulgados somente em caso de acidentes.

O senhor acredita realmente que as empresas serão penalizadas?
O órgão regulador americano já colocou uma proposta detalhada sobre responsabilidades. Empresas que operam no Brasil e que têm ações nas bolsas americanas já perceberam que o cenário mudou. Lá, como existem milhares de empresas de capital aberto, a escala é muito maior. No Brasil, isso impactará um grupo menor. Além disso, em um país no qual punir a ilegalidade já é difícil, imagina a imoralidade. Mas empresas responsáveis ​​criam um efeito multiplicador, ainda que em termos regulatórios estamos atrás da Europa e, agora, dos Estados Unidos.

Como está a questão regulatória no Brasil?
A regulação vem a dever da demanda da sociedade. É verdade que quem trouxe uma pauta para os investidores institucionais, mas a mídia vem falando sobre isso e como pessoas vêm demandando esse compromisso. Temos também o papel do governo. Recentemente, por exemplo, foi assinado um decreto de lei para a criação do mercado de carbono. Os ambientalistas estão céticos quanto a isso, mas foi um primeiro passo.

Casos de ocorrência de más práticas em ambientes de marcas ocorrências com poder de impacto algumas vezes. Mas como materializar os riscos do pilar social?
Índices de redução de água e produção de resíduos são objetivos e mensuráveis. Já a pauta social e há também uma dificuldade que a empresa está tentando resolver o problema que é o papel do Estado. Veja a questão da luta contra a desigualdade social. As empresas podem fazer políticas de inclusão e comunidades é sempre limitadas. Trabalhar a materialidade, mapeando onde a atuação é mais relevante é a melhor maneira de fazer mais diferença nessa pauta.

Em um cenário tão complexo como evitar o greenwashing?
Pode ser por marketing ou por propósito mas se uma empresa realmente está trabalhando em prol do ambiente ou positivo, temos um resultado positivo. A perversidade do washing acontece de maneiras: as duas ações são irrelevantes e as empresas ao impacto do negócio são relevantes. E esse é o pior dos mundos.