A União dos Povos Indígenas do Vale do Javari (Univaja) se pronunciou sobre a participação de equipes indígenas nas buscas pelo jornalista inglês Dom Phillips e pelo indigenista Bruno Araújo Pereiraencerradas nesta quarta-feira (15/6) depois que o suspeito confessou o crime e os corpos foram encontrados.

Durante a coletiva da força-tarefa que elucidou as informações sobre o caso, antecipadas pela coluna Na MiraFaz Metrópolesnenhum membro familiar da busca compunha a mesa.

Em 5 de junho, a organização destacou a atuação da Univaja (EVU), que participou das buscas desde o dia da Vigilância, em 5 de junho, e “uma área que, posteriormente, passou a ser alvo das investigações por parte de outras instâncias, como a Polícia Federal, o Exército, a Marinha, o Corpo de Bombeiros etc”.

Os nossos indígenas destacam que os oficiais militares do 8º Batalhão em Tabatinga teriam sido tratados na busca nos únicos como verdadeiros parceiros, valorizando os nossos conhecimentos enquanto indígenas, conhecedores do território”.

A definição de assassinatos como um crime político, uma vez que Dom e Bruno atuou na proteção dos povos indígenas do Vale do Javari e identificaram emvas, como “a composição de uma quadrilha de caçadores e profissionais, vinculados a narcotraficantes, que ingressam ilegalmente em nosso território para extrair nossos recursos e vende-los nos municípios vizinhos”.

Dessa forma, os indígenas pedem pela forma das investigações, uma vez que suspeitos presos, Amarildo da Costa Oliveira, o Pelado, e seu irmão, Oseney da Costa de Oliveira, conhecido como Dos Santosfariam parte de um grupo maior.

Leia a nota completa:

“A União dos Povos Indígenas do Vale do Javari (Univaja), movimento indígena representativo dos povos que habitam na Terra Indígena Vale do Javari – Marubo, Matis, Matsés, Kanamari, Korubo, Tsohom-dyapa e povos indígenas isolados – vem a público se isolados manifestar sobre o assassinato do indigenista brasileiro Bruno Pereira e do jornalista britânico Dominic Phillips. Nos solidarizamos com as famílias de Bruno e Dom, nossos parceiros, expressando o nosso pesar e profunda tristeza dessa perda. Para nós, povos indígenas do Vale do Javari, é uma perda inestimável.

Hoje, 15/06/22, após 11 dias de buscas, obtivemos uma notícia de que os corpos de Pereira e Phillips, nossos parceiros e defensores dos Direitos Humanos, foram encontrados pelos órgãos envolvidos nas buscas. Diante desse fato, a Univaja vem ao público destacar dois aspectos:

1) Agradecimento à EVU, ao 8º Batalhão da Polícia Militar em Tabatinga, e à imprensa nacional e internacional:

Nós, Univaja, participamos ativamente das buscas desde o dia 05/06/22 através da Equipe de Vigilância da Univaja(EVU). Fomos os primeiros a atravessar o rio Itaquaí atrás de Pereira e Phillips ainda no domingo, primeiro dia do desaparecimento dos dois. Desde então, uma única instância que esteve ao nosso lado como parceira nas buscas dos policiais militares do 8º Batalhão em Tabatinga (AM). Fomos nós, indígenas, através da EVU, que encontramos a área que, posteriormente, passou ser alvo de investigação por outras instâncias, como a Polícia Federal, Exército, a Marinha, etc. vigilância aos da Univaja que entrou na floresta em busca de Pereira e Phillips para dar uma satisfação aos seus familiares.

Foi uma equipe de vigilância da Univaja, a EVU, que foi indicada para as autoridades ou para um perímetro ser vasculhado em profundidade pelos órgãos estatais. Para isso, nós com a nossa colaboração e constante dos nossos agentes militares contatamos em Tabatinga (AM): os únicos a nos tratarem como verdadeiros parceiros, valorizando o conhecimento e nossos povos indígenas, conhecedores do nosso território. Viemos à audiência pública agradecimentos ao Coronel Cavalcante, aos policiais militares do 8º Batalhão (AM) que nos acompanharam nas buscas, e também à imprensa internacional que foi nosso inteiro, nos ajudando a levar para o mundo inteiro à imprensa e conheça o que está em nossa região.

2) O caso não terminou:

Também sabemos que, ao longo da prisão, ao longo das buscas, as forças do Vulgo Pelado da Costa Oliveira. No entanto, a Univaja compreende que o assassinato de Pereira e Phillips constitui um crime político, pois ambos defendem os Direitos Humanos e os direitos humanos atuam em benefício de nós, os povos indígenas do Vale do Javari, pelo nosso bem-viver, pelo nosso Nosso direito ao território e recursos naturais que são nosso alimento e garantia de vida, não apenas da nossa vida, mas também da vida dos nossos parentes isolados.

Desde 2021, a Univaja qualificou informações sobre as invasões na Terra Indígena Vale do Javari, através da Equipe de Vigilância da Univaja (EVU). Enviamos uma série de informações qualificadas ao Ministério Público Federal, à Fundação Nacional do Índio e à Fundação Nacional do Índio. Nesses ofícios, indicamos a composição de uma quadrilha de pescadores e caçadores profissionais, vinculada a narcotraficantes, que ingressam ilegalmente em nosso território para extrair nossos recursos e vende-los nos municípios vizinhos. Fornecemos informações através de nossas denúncias às autoridades competentes. Mas as medidas não foram tomadas com a devida providência. Por isso, hoje assistimos ao assassinato de nossos parceiros: Pereira e Phillips.

Disso manifestamos nossa preocupação com a preocupação, das manifestações. Pelado e Dos Santos fazem parte de um grupo maior, nós sabemos. Manifestamos nossa preocupação com nossas vidas, a vida das pessoas ameaçadas (pois não era somente o Bruno Pereira), componentes do movimento indígena, como forças e se mobilizar em Atalaia do Norte. O que acontece conosco? Continuaremos vivendo sob ameaças? aprofundar e ampliar a investigação. de fiscalização territorial efetiva no interior da Terra Indígena Vale do Javari. que as Bases de Proteção Etnoambiental (BAPEs) da Funai sejam fortalecidas”.

Brutalidade é moeda corrente

Também em nota, o WWF-Brasil, ou Fundo Mundial Para a Natureza, prestou solidariedade e apoio às famílias, aos amigos e aos colegas de Dom e Bruno. E: destacou

“O nível de violência aplicada a Bruno e Dom explicita como a Amazônia está à mercê da lei do mais forte, sob a qual a brutalidade é a moeda corrente. Isso eleva nossa indignação com a situação na qual os povos e seus defensores foram protegidos da floresta pelo Estado brasileiro.

Enquanto nos oficiais ‘a Amazônia é nossa’ e ‘não abrimos de nossa soberania’, na prática o que são assassinatos brutais sem esclarecimento ou punição territorial, baseada na corrupção e na violência, por diversos outros domínios: narcotra domínios, gareiros eo território , madeireiros ilegais, caçadores e ilegais”.

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