Disputas menores (por Cristovam Buarque)

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Foi um colega professor da UnB quem me chamou a atenção de como as disputas políticas menores dominavam o debate político no passado. Pessoas com os mesmos propósitos para o futuro do país – justo, eficiente, democrático, sustentável – se repudiavam por discordar de alguns dos meios defendidos por outros do mesmo lado. O resultado desta divisão, entre 1992 e 2018, foi o retrocesso destes últimos quase quatro anos. Embora com concepções parecidas sobre o Brasil que desejavam para o futuro, militantes de siglas diferentes se desviaram da causa maior e concentraram esforços em destroçar aliados. Parece que isto não mudou, ainda que a realidade mostre a nítida identidade de quem são os verdadeiros adversários do Brasil e do mundo civilizado que desejamos.

Quando Lula e Alckmin se unem por uma causa maior, ouve-se vozes contestando esta unidade, de um lado e de outro. Eles dois perceberam que há um adversário maior – ameaça à democracia, aos direitos humanos, ao progresso sustentável –, mas do lado de cada um deles há pessoas que, no lugar de defenderem a unidade contra o atraso, preferem discordar. Porque Lula é contra a PEC do Teto de Gastos, ou porque Alckmin era do partido que defendeu o impeachment, ou ainda porque depois das eleições alguns militantes do PT vão voltar a agredir os que rotulam de golpistas.

Neste momento, estas discordâncias e temores pessoais são detalhes, diante da ameaça de um presidente que avisa não aceitar os resultados da eleição, se ele não for o vitorioso, que se reeleito vai continuar suas políticas de incentivo à violência, desrespeito aos povos indígenas e aos direitos humanos, elogios aos torturadores e à ditadura, depredação do meio ambiente e destruição de florestas, isolamento do Brasil no mundo democrático, descuido com a saúde, com a educação e com a ciência.

Este não é momento de divisões entre os democratas, é momento de união com Lula-Alckmin, que formaram a chapa capaz de barrar o abismo. São estas divisões que poderão levar à reeleição do atual governo, em outubro próximo. Estes meses do primeiro turno, já em marcha, estão mostrando que as disputas no campo democrático tenderão a radicalizar, ao ponto de fazer inviável uma aliança no segundo turno, levando milhões de eleitores a se omitirem e elegerem a continuação do abismo representado pelo atual governo.

Pelo menos um dos líderes do campo democrático já explicitou que não votará na chapa Lula-Alckmin, no segundo . Defenderão, portanto, abstenção, e com isto poderão reeleger o atual presidente. Mais uma vez, as disputas menores enterrariam as grandes causas.

Cristovam Buarque foi senador, ministro e governador

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