O sistema de fintechs no Brasil é diversificado e muito inteligente

0
19

Formada em administração com especialização em marketing, a argentina Carolina Lamiaux, presidente da subsidiária da American Express no Brasil, tem muito trabalho pela. Para os clientes brasileiros, os cartões da American Express — Amex, para encurtar — foram mais um sinal de status do que uma ferramenta de consumo. A empresa fazia tudo sozinha: emitia os cartões, cadastrava os estabelecimentos em sua rede de adquirência (as maquininhas) e processava os pagamentos. Com isso, os cartões Amex sempre tiveram uma participação limitada no mercado. Nos últimos dois anos a meta da empresa foi crescer. Para isso, teve de mudanças enfrentar. Uma delas foi associada com demais empresas de processamento de pagamentos. Outra, buscar parcerias com brasileiros e avaliar como soluções adaptadas por fintechs. Entre elas, a criação de marketplaces para gerenciamento dos pagamentos realizados pelas empresas clientes a seus fornecedores. Tudo isso representa uma ruptura na maneira de trabalhar por aqui. Desafio para Carolina. Dirigindo a Amex Brasil há 11 meses e morando no País desde o início de 2022, ela se surpreendeu com a diversidade brasileira. No mercado e no condomínio em que mora com a família. “Meus parceiros de tênis são de sete nacionalidades diferentes”, afirmou.

DINHEIRO — Durante muito tempo, a Amex no Brasil ficou restrita a nichos como o segmento corporativo e os clientes de renda. Isso limitou o crescimento da bandeira. O que mudou nessa estratégia?
CAROLINA LAMIAUX — Estamos com uma estratégia nova, para o crescimento. Nosso posicionamento global é focado nos segmentos premium e empresarial. Além de cartões de crédito, nossas atividades mais tradicionais como soluções para o conceito de entretenimento para a “Viagem & Entretenimento” ou “Viagem e Entretenimento”. Sempre fomos fortes no segmento corporativo, com a gestão dos custos das empresas, por exemplo. Segmento, no Brasil, somos ter oportunidades de crescimento no empresarial, algo além de atuarmos para ajudar os nichos agora.

Qual estratégia?
Estamos apostando em soluções de gestão de fluxo de caixa e pagamentos para empresas, pequenas, médias e grandes. Além da gestão de viagens e entretenimento, buscamos expandir nossas atividades no segmento B2B. Ferramentas para ajudar a empresa a gerenciar seus custos operacionais e os fornecedores, tanto diretos quanto indiretos. Nossa meta é trazer para o Brasil soluções que empregamos em outros países.

Qual o tamanho da empresa aqui?
Não revelamos esses dados. Em todo o mundo temos 114 milhões de cartões.

Como conseguir aumentar sua base de cartões no Brasil?
Estamos expandindo nossa rede de adquirência. Em 2006 fechamos uma parceria com o Bradesco. Agora, uma parceria com o Santander. Com isso, nossa rede cresceu exponencialmente. Nos últimos anos expandimos a captura de nossos dois cartões para adquirentes 98,3% do volume total de transações. São os líderes de mercado: Cielo, Rede e Getnet. Isso representa uma grande mudança em nossa, e permite a expansão da estratégia de cartões. O Bradesco, por exemplo, é nosso principal parceiro na emissão de cartões. Lançamos vários produtos em parceria com eles. No caso do Santander, incorporamos várias soluções soluções às empresas.

“Nos últimos dois anos expandimos a aceitação de nossos cartões para capturam 98,3% do volume total de transações” (Crédito: Istock)

Soluções como pagamentos e gestão de fluxo de caixa, por exemplo?
Exato. O que podemos oferecer para uma empresa melhorar seu fluxo de caixa? Estamos trabalhando no desenvolvimento de uma plataforma que funciona como um mercado financeiro. Já temos isso implementado em grandes em outros países, e estamos fazendo a solução dessa cá. Ao permitir a conciliação de pagamentos agregamos valor para o cliente.

Algum desses marketplajá funciona no Brasil?
Não, ainda estamos trabalhando no desenvolvimento dessas soluções para o mercado brasileiro.

Há alguma previsão de lançamento?
Vamos falar sobre isso depois.

Antes vocês insistiam em sistemas proprietários. Isso mudou?
Não quem desenvolveu como ferramentas, desde que elas funcionam e fazem a diferença para o consumidor.

As fintechs não são concorrentes?
Não. A chegada das fintechs verificadas para melhorar o sistema financeiro, pois uma inclusão de mais clientes e um aumento da oferta de produtos de serviços para os consumidores. Isso representa uma oportunidade para nós, não um desafio. Atuamos como bandeira emissora de cartões, como adquirente e como rede global de pagamentos. Tudo isso pode funcionar em parcerias com fintechs. Além disso, temos muita experiência em identificar o cliente ao longo de sua jornada.

O que a Amex está fazendo em parcerias com fintechs?
Em 2011 estabelecemos um veículo de investimentos, a Amex Ventures. sua missão é atuar como investidor estratégico em novas empresas, especialmente de tecnologia, sinergias com nosso negócio. Atualmente a Amex Ventures está focada em trabalhar com fintechs para melhorar a criação de valor para nossos clientes.

De que maneira?
Os investimentos mais solicitados são negócios de emissão de cartões e criação de soluções de pagamentos. Por exemplo, a plataforma Corpex, que pode ser usada por empresas para programação de viagens e conciliação das despesas. Também temos muita experiência na prevenção de fraudes, que é uma grande tarefa para empresas e para os técnicos.

Isso está no Brasil também?
Aqui ainda não temos nenhuma parceria desse tipo. Estamos estudando. Nosso foco é em soluções globais. Porém, uma coisa que me surpreendeu quando cheguei ao Brasil foi a diversidade e a profundidade do sistema financeiro. O sistema de fintechs no Brasil é diversificado e muito inteligente.

A Amex tem uma percepção instantânea da demanda por viagens. Já é possível recuperar no volume depois da queda causada pela pandemia?
Sim, felizmente. O segmento de viagens e entretenimento caiu muito com a pandemia. Felizmente, os negócios estão voltando à normalidade, e essa volta tem sido acelerada. Os divulgados globais da Amex referências ao primeiro trimestre deste ano de maio mostram que o volume de transações ao primeiro trimestre de viagens cresceu 42% em relação ao trimestre de viagens e cresceu 42% em relação ao trimestre de viagens na empresa cresceu 107% no primeiro trimestre na comparação anual. Em março, os volumes totais foram maiores do que os de março de 2019, anteriormente à pandemia. Isso não ocorreu no mundo todo e o Brasil não foi exceção.

“O segmento de viagens cresceu 107% no primeiro trimestre na comparação anual. Em março, os volumes totais foram maiores do que os de março de 2019” (Crédito:PHIL NIJHUIS/AFP)

E nas outras atividades além das viagens?
Os resultados também foram muito bons nos demais serviços corporativos. Notamos um crescimento de 30% no volume de transações e um aumento de 29% no faturamento no primeiro trimestre, sempre em comparação com o mesmo período do ano passado.

Você tem experiência internacional na Amex. Qual a diferença entre a estratégia da empresa no Brasil e de outros países?
O Brasil é um país estratégico. É o principal vetor de crescimento na América Latina entre os países nos quais atuamos com nossa própria bandeira. Estou há 11 meses na Amex Brasil, mas morando aqui desde o início do ano. A primeira coisa que eu percebi é que a velocidade das coisas no Brasil é muito diferente dos outros países da América Latina em que estive.

E como está morando no Brasil?
Minha família é de origem francesa, mas eu sou argentina. Tenho uma carreira de 16 anos na American Express e já trabalhei em oito países da América Latina, entre eles Chile, Paraguai, Uruguai, Colômbia, até Venezuela. Para nós vir para o Brasil representou uma mudança, pois minha família sempre ficou na Argentina e eu viajava. Agora, pela primeira vez nós nos mudamos todos. Está sendo uma experiência muito positiva.

como quais impressões?
Em primeiro lugar a diversidade. Tenho dois filhos adolescentes, um casal de 15 e 13 anos. Hoje eles estudam em um colégio internacional. Metade dos alunos não é do Brasil. Moro em um condomínio e jogamos tênis. Meus parceiros no jogo são de sete nacionalidades diferentes. Isso representa uma enorme oportunidade de crescimento pessoal. Tanto que eu sou outro para os meus filhos que eles vão voltar para a Argentina. Os dois disseram que não.

LEAVE A REPLY

Please enter your comment!
Please enter your name here