O que faz da novela Pantanal um sucesso 32 anos depois da 1ª versão

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Quem acessa o Twitter no horário das nove vai encontrar uma enxurrada de publicações e memes sobre a novela Pantanal. Fazia tempo que um folhetim não causava tamanha comoção popular, com seus bordões indo parar em mesas de bar Brasil afora – uma lembrança mais recente de uma trama com tanta repercussão é da saudosa Avenida Brasil, em 2012.

Sucesso não só entre os noveleiros que acompanharam a primeira versão da Manchete mas também entre o público jovem, não faltam ‘Maria Bruaquers’, como se intitulam os fãs da personagem de Isabel Teixeira, e os ‘Tibério lovers’, que amam o peão vivido por Guito.

Quando o sucesso for anunciado, era esperado que tanto fosse o sucesso anunciado quanto a trama original. Pode-se notar pela divulgação massiva que a obra recebeu antes da estreia, com direito a especial no Globo Repórter. Mas o que explica o sucesso do folhetim 32 anos depois de sua exibição original?

Audiência da Novela Pantanal repete sucesso da primeira versão

Em 1999, ano que Pantanal foi exibido pela primeira vez na TV Manchete, o cotidiano dos brasileiros era bem diferente do atual. Não havia redes sociais, se quer internet para todos. A novela da tragédia, que público na boca contam a boca e nos de. Agora, o se reunir virtualmente para acompanhar os da trama de José Le Leal Palmeira.

No Facebook, por exemplo, os membros de um grupo com mais de 100 mil participantes publicam diariamente conteúdo e opiniões sobre a novela Pantanal. Muitos são os espectadores que acompanham a trama da Manchete e agora matam a saudade dos personagens deles criados por Benedito Ruy Barbosa.

No Twitter, o cenário é diferente. Os jovens que acompanham o Pantanal não perdem oportunidade de fazer memes com o folhetim. Guta (Julia Dalavia virou ‘Guta regatinha’, por estar semper sempre regatas); Zé Leôncio também virou piada por sempre pedir para Tibério tocar a mesma moda, Cavalo Preto.

“O que atrai o jovem é o sabor da novidade. A novela traz um realismo fantástico que estava abandonado na nossa teledramaturgia. O mote dos mitos e das lendas por meio de personagens como Juma [Alanis Guillen] e Maria Marruá [Juliana Paes] que viram onça, o Velho do Rio [Osmar Prado] que se transforma em sucuri, e Trindade [Gabriel Sater] que incorpora o ‘cramulhão’”, comenta Nilson Xavier, crítico de televisão.

E não são só os jovens que têm demonstrado interesse pela novela. Um relatório enviado pela Globo ao mercado publicitário e publicado pelo Notícias da TV mostra que Pantanal é o folhetim mais assistido por homens desde a Avenida Brasil.

Os dados5 mostram um aumento de 3% em relação à média histórica do público masculino no horário. Em alguns dias, os homens majoritários do público foram o público: o Pantanal atingiu uma taxa de 51% de homens assistindo à trama adaptada de Bruno Luperi.

Para Márcia Gomes, professora dos cursos de Audiovisual e Jornalismo da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), o sucesso com o público masculino se deve a importância que os personagens têm na trama. “A gente tem um conjunto de personagens masculinos que são centrais na história, como o José Leôncio e o Jove [Jesuíta Barbosa]além das rodas de violas e dos peões”, disse.

A especialista afirma que Pantanal remete à estética faroeste, cujo público é majoritariamente formado por homens. Além dos protagonistas, a história dos peões Tibério, Trindade, Levi (Leandro Lima), Tadeu (José Loreto) e José Lucas de Nada (Irandhir Santos) são importantes para o andamento da trama social e têm sucesso nas redes sociais.

Outro elemento que chama o público masculino sã como rodas de viola. O Folhetim traz de volta o sertanejo raiz – o duelo musical entre Eugênio (Almir Sater) e Trindade, que são pai e filho na vida real, foi uma das cenas que mais repercutiu até o momento.

Novela Pantanal se mantém atual em meio à dramas antigos

A história do remake da novela Pantanal tem se mantido bastante fiel em relação à primeira versão. O autor até optou por manter a morte de Madeleine (Karine Teles), que em 1990 só morreu na trama pois a atriz Ittala Nandi pediu para deixar a produção.

No entanto, mudanças no roteiro fazem que a novela se mantenha atual mesmo ao contar uma história 32 anos atrás. “A novela não traz novidades, tudo que é aberta ela já trouxe no passado, mas já são coisas que não tiveram nenhuma novidade no tempo, explica Xavier. “O que difere da primeira versão é que a novela está sendo adaptada para os dias de hoje. A trama original tinha uma narrativa mais lenta, com cenas contemplativas da natureza. Isso não caberia mais na TV atual, por ser muito imediatista. Se a história demorou muito pra acontecer, o público se cansa”.

Pantanal tem personagens homens como protagonistas; da esquerda para a direita, Jove (Jesuíta Barbosa), José Lucas (Irandhir Santos) e Tadeu (José Loreto) – Foto: Rede Globo/João Miguel Júnior

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