Brasil, chega de perder tempo (por Felipe Sampaio)

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Há anos o Brasil vive uma paralisação decepcionante nas suas agendas estratégicas, com retrocesso preocupante em muitas delas.

Para piorar, as questões que orientam a pauta deste século estão fora do radar do Parlamento nacional e mais ainda do Executivo federal. O Brasil está fora do jogo.

É desalentador, por exemplo, que os três candidatos que dominam a corrida presidencial não debatam além do ringue personalista que cristalizaram na política brasileira, contaminando a população com desconfiança mútua a agressividade recíproca.

Esse espírito narcisista em nada contribuiu para o aproveitamento das novas oportunidades e nem para a recuperação do atraso que, por sinal, está se tornando crônico no caso brasileiro.

Em seu livro A Diplomacia na Construção do Brasil, o embaixador Rubens Ricupero atualiza a definição de potência para o século XXI, oferecendo ao País fôlego para se recolocar em movimento.

Ricupero detecta uma superação da ideia de potência baseada na “coerção militar e econômica”, cedendo espaço a outras qualidades do Estado de direito e da soberania nas próximas décadas.

Não se trata de disputar a vaga de superpotência, que apenas os EUA conseguem ocupar. A China ainda nem chega a tanto e a Rússia, ao fim da URSS, desceu a um status intermediário escorado no seu arsenal.

Contudo, o embaixador enxerga que, em um futuro baseado no ‘princípio da segurança coletiva’ (sob a ameaça dos efeitos caóticos da mudança climática), “a escolha histórica [brasileira] de não ser uma potência militar típica, [diversifica] os tabuleiros onde podemos jogar como atores de relevo”.

O ex-ministro sugere que a nova chance para o Brasil seria “ajudar a construir essa outra noção de ser potência”. O País deu sinais de sua vocação com a Rio 92, a criação do Mercosul e a articulação do BRIC.

Ricupero nos dá esperança de que o País pode compor a vanguarda no novo cenário global, começando por se reposicionar como ator relevante nos temas ambiental, científico, do fornecimento de alimentos, da energia limpa e renovável, cooperação com países pobres, direitos humanos, governança multilateral, autodeterminação e cultura de paz.

Isso não nos dispensa de vencer nossas contradições estruturais, por exemplo: valorizar a democracia mas namorar o fascismo; pregar o fim da pobreza mas continuar desigual; rejeitar a violência mas conviver naturalmente com ela; defender a sustentabilidade mas depredar o ambiente; ser hospitaleiro mas tolerar abusos raciais e de gênero; apreciar a globalização mas acreditar em uma economia fechada.

Nada disso se consegue com nostalgia nacionalista, violência ideológica, preconceito de costumes, gastança sem projeto, assistencialismo, privatização sem critério, incentivos irresponsáveis e política econômica de curto prazo.

Note-se que as incoerências apontadas confirmam a persistência de problemas históricos, sendo a desigualdade social o centro de onde irradiam os demais dramas nacionais que dela se alimentam e a retroalimentam.

Nesse cenário, a polarização eleitoral midiática ativa o ciclo vicioso, que drena energia das questões fundamentais, em favor das disputas particulares em que os atuais candidatos insistem em apequenar-se diante do futuro.

Existe uma militância silenciosa de milhões de pessoas que, embora discreta, espera desapontada por uma proposta clara e renovada de desenvolvimento.

Nesse sentido, chega a ser fundamental a ocorrência de um segundo turno nas eleições deste ano, que permita à sociedade o tempo para um debate fundamentado incorporando novas lideranças progressistas e qualificadas.

 

Felipe Sampaio, ex-assessor especial dos ministros da Defesa (2016-2018) e da Segurança Pública (2018); foi secretário executivo de Segurança Urbana do Recife; colabora com o Centro Soberania e Clima.

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