falta de antibióticos nas farmácias deixa pais e médicos em alerta

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Rio de Janeiro – A falta de remédios como os antibióticos tem preocupado pais e especialistas no Rio. Na última semana, Aline Mathias, mãe da pequena Ana Carolina, de 1 ano e 7 meses, diz ter passado por um susto com a falta de medicamento e a necessidade de tratar a pneumonia da filha.

“Ficamos bem assustados porque já é a segunda vez que ela fica doente e não encontramos remédio. A primeira foi em março e a última agora na semana passada”, explica a moradora de Petrópolis, na região serrana do Rio.

Segundo ela, uma das opções dadas pelos médicos seria cortar um comprimido de adulto para dar para a filha: “Não gostamos dessa solução, ficamos bem apreensivos porque a gente nunca sabe o que pode acontecer, como a criança pode receber. A própria pediatra disse que alguns chegaram a vomitar pelo fato de o remédio ser mais forte”, conta.

De acordo com a pediatra Mônica Yoneshigue, que atende em Niterói, na região metropolitana do Rio, e Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, as reclamações de falta de medicamentos começaram há pelo menos 15 dias.

Amoxicilina e Azitromicina

Dentre as substâncias que mais ouviu relatos estão a amoxicilina e a azitromicina. No entanto, alguns pacientes também apontaram para a falta de antialérgicos, como, por exemplo, a desloratadina.

“Tive que trocar receitas algumas vezes nas últimas semanas, os pais não encontravam os remédios. Chegou ao ponto de eu ter que pedir para irem à farmácia ver quais tinham para, aí sim, eu fazer uma nova receita. Era mais fácil. Em quase 30 anos de profissão, nunca vi nada similar”, conta a médica ao Metrópoles.

A reportagem do Metrópoles percorreu algumas farmácias na zona oeste do Rio e também constatou a falta, principalmente, de amoxicilina. Em alguns dos estabelecimentos, foi informado que o principal problema tem sido com os medicamentos pediátricos e que o baixo estoque é geral.

Impactos da falta

Segundo o coordenador do Comitê de Infectologia Pediátrica da Sociedade Brasileira de Infectologia, Marcelo Otsuka, a situação é preocupante.

“Quase todos os vírus respiratórios aumentam a chance de infecções bacterianas associadas e, por isso, precisamos tratar com antibióticos. Além disso, mesmo sem o vírus, temos chances altas de infecções bacterianas, principalmente nas vias aéreas. Isso é muito comum. Então, a partir do momento que não temos antibióticos disponíveis, temos várias situações críticas”, explica.

Uma das questões levantadas pelo médico é que a falta de antibióticos de primeira linha de tratamento, como a amoxicilina, pode levar ao uso de outras substâncias mais caras e mais fortes, ou, até mesmo, levar o paciente para uma internação desnecessária, apenas para que receba o medicamento injetável.

“Você cria desse jeito um cenário de risco para o paciente, que pode pegar outras infecções no hospital e isso se torna um outro problema. Além disso, o uso de antibióticos mais potentes é muito preocupante, porque pode fazer com que bactérias mais resistentes circulem e aí precisaremos de remédios ainda mais potentes”, completa.

O que pode causar a falta

De acordo com Otsuka, o uso de máscaras e o distanciamento social ao longo dos anos de 2020 e 2021, devido à pandemia da Covid-19, reduziu o número de infecções bacterianas.

“Essa redução, de certa forma, pode ter levado a uma menor produção dos antibióticos. E agora que temos um boom de casos, um momento em que temos um aumento bem importante de casos, principalmente de infecções em crianças, isso se torna ainda mais evidente”, avalia.

Além disso, o especialista aponta também para a possibilidade de impacto da guerra entre a Rússia e a Ucrânia, que pode ter afetado na aquisição de matérias-primas para a produção dos remédios, já que existe uma parcela de substâncias importadas na produção dos remédios.

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