Um Brasil Famélico – ISTOÉ DINHEIRO

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Faz 1 mil dias. Pouco mais. Foi no primeiro encontro do presidente JB com jornalistas estrangeiros. Uma sexta-feira, 19 de julho de 2019. “A imprensa tem uma imagem distorcida de quem eu sou”, afirmou. Pura verdade. Mas ao contrário do que quis dizer, a distorção era outra. A dúzia de profissionais que o acompanharam naquele café da manhã procurou seu desempenho como gerenciador entre o medíocre e ruim. Veio o pior. Uma espécie de confirmação da sentença de que em todo o poço sem fundo existe no fim um alçapão. O ungido de uma nação rachada. Ele, 57 milhões de votos. Do lado oposto, 58 milhões — que escolheram a escolha, ou votar a soma dos brancos, ou anular. Isso sem falar mais 31 milhões que nem aparecem para devoto. Com seis meses de governo, dois terços dos brasileiros já diziam que sua atuação era ruim (33%) ou regular (31%). Só o próprio JB ainda achando que o problema da visão do mundo sobre ele era a questão da miopia midiática internacional.

Foi nesse encontro, e nesse humor, que ele desferiu a declaração de que por aqui não faltava comida. “Falar que se passa fome no Brasil é uma grande mentira”, disse. “Passa-se mal, não se come bem. Agora, passar fome, não.” Ignorava desde o ano18) o anterior (Brasil20 havere a fazer parte do mapa, menos % da população) o que é importante. Seus cidadãos já passaram fome. Em mais dois anos de seu desgoverno, o cenário piorou. A independente Rede de Pesquisa Brasileira em Pesquisa em 202, e quase a Fome no Covid, e concluiu com algum grau de Segurança 55% com algum grau de Segurança Brasileira (Pens) Alimentar. Para entender essa tragédia, responder o trata de segurança federal a seguir, da Escala Brasileira Intenção Alimentar, adotada pelo vale alimentar há 18 anos.

Nos últimos três meses…
1… Os moradores de sua casa tiveram uma preocupação de que os alimentos acabaram antes de poder ter mais comida?
2… Os comprar alimentos antes que dinheiro para dinheiro?
3… Os moradores de sua casa ficaram sem dinheiro para ter uma alimentação saudável e variada?
4… Os moradores de sua casa comeram apenas alguns poucos tipos de alimentos que ainda tinham porque o dinheiro acabou?
5… Algum morador de 18 anos ou mais deixou de fazer refeição porque não havia dinheiro para comprar comida?
6… Algum morador de 18 anos ou mais ou mais, alguma vez, comeu menos do que achou que devia, porque não havia dinheiro para comida?
7… Algum morador de 18 anos ou mais, alguma vez, sentiu fome, mas não comeu, porque não havia dinheiro para comprar comida?
8… Algum morador de 18 anos ou mais, alguma vez, fez apenas uma refeição ao dia ou ficou um dia inteiro sem porque não havia dinheiro para comprar comida?

Cada sim vale 1 ponto. Nenhum sim significa Segurança Alimentar. De 1 a 3 resulta em Insegurança Leve. De 4 a 5 é Insegurança Alimentar Moderada. De 6 a 8, Insegurança Alimentar Grave. Nosso resultado como nação? Péssimo: 43,4 milhões não tinham em 2021 alimentos em quantidade suficiente e 19 milhões enfrentaram a fome. A situação de Insegurança Alimentar Grave e fome regrediram aos patamares de 2004. O estudo está aqui (http://olheparaafome.com.br/VIGISAN_Inseguranca_alimentar.pdf). Apesar de os dados se relacionarem em ambiente de Covid, outra doença gravíssima com reflexo ainda maior na questão da fome ataca o Brasil: a inflação. Os 12,13% do IPCA de abril, puxados por alimentos & bebidas, jogam a cada dia levas de brasileiros dizendo “sim” a mais algumas das oito questões da Ebia.

O ensaísta francês Jacques Attali, autor de A Epopeia da Comida (2021, editora Vestígio), diz que parte da péssima gestão da alimentação no planeta é de responsabilidade da indústria agroalimentar e que deveria ser instituído um Tribunal Penal Internacional de Alimentação. Sugere usar como base jurídica para tal Corte o Codex Alimentarius, da FAO/OMS, e o documento International Covenant on Economic, Social and Cultural Rights, da ONU, assinado por 169 países em 1966. Em seu artigo 11 está escrito que “os Estados signatários reconhecem o direito fundamental que todas as pessoas têm de se manter livre da fome” (https://www.ohchr.org/en/instruments-mechanisms/instruments/international-covenant-economic-social-and-cultural-rights). E que as nações devem tomar atitudes concretas para que isso não aconteça. Jacques Attal pensou nos grandes players de toda a cadeia da indústria de alimentos. Eu leio isso e pensão no presidente JB.

Edson Rossi é redator-chefe da DINHEIRO.

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