Professor da UnB é vítima de homofobia em bar do DF: “Beijo incomodou”

0
44

Um professor da Universidade de Brasília (UnB)de 37 anos, foi vítima de homofobia, no último domingo (15/6), no Deboche! Bar, estabelecimento na 201 Norte. Ele conta que um cliente que estava no local teria se incomodado ao ver-lo beijar o companheiro e foi reclamado para que o casal parasse.

O educador, que pediu para não ser identificado, relata que estava no bar com amigos, por volta das 19h de domingo, onde havia uma roda de samba. “Eu estava cansado de dançar e falei para os meus amigos que iriam sentar um pouco com o meu parceiro. Aí, eles ficaram um pouco mais longe e nós nos sentamos. Como só tinha uma cadeira, ele sentou no meu colo e a gente se beijou”, relata.

Pouco depois, o homem que havia prometido uma busca ao seu redor. “Fui lá ver o que estava uma pessoa, porque estavam amigos com meus amigos. Foi quando soube que um homem da mesa ao lado havia chamado minha amiga para ela pedir que a gente parasse de se beijar porque estava incomodando ele”, conta.

0

A nutricionista Carolina Abreu, de 25 anos, é amiga da vítima e testemunhou o momento. “Ele estava com o parceiro dele, diretamente comigo e com o senhor que é nosso amigo também para que eu pedisse para que eles beijassem imediatamente. Disse que ele não queria que a filha dele visse isso, mas ele estava sozinho lá”, narra a jovem.

Ela, porém, disse que não pediria isso ao casal. “Foi quando esse senhor voltou com três seguranças, dizendo que estava incomodando, que era para parar. Ameaçou ‘enfiar a mão na cara’ de um amigo meu e disse que se eles continuariam iria chamar a polícia.”

Quando o professor UnB divulgou o que se divulgou, divulgou a polícia. Segundo Carolina, mesmo com os policiais no bar, o homem contínuo exaltado. “Ele me disse: ‘Espero que não tenha família aqui para você ver o que pode acontecer’. Estava muito alterado, parecia bem desequilibrado. Chamou meu amigo de ‘viadinho’ na frente dos policiais”, comenta.

Os envolvidos foram então para a 5ª Delegacia de Polícia (Área Central)onde foi registrado um boletim de ocorrência contra o suspeito, que não teve o nome revelado pela PCDF.

Combate à homofobia

Nesta terça-feira, dia 17 de maio, é confirmado o Dia Internacional de Combate a Homofobia. Para o docente da UnB, a ideia de divulgar o caso não é apenas por ele. “Eu sou concursado, sou professor efetivo, posso frequentar o local que eu quiser. Mas imagina quem é pobre, preto e gay. Acho que não podemos mais nos calar com esse tipo de coisa”, diz.

Além do registro da ocorrência da delegacia, ele diz que ingressará na Justiça com um processo criminal contra o suspeito. “Porque houve ameaça de agressão contra o meu advogado, que é meu amigo também.”

O que diz o bar

Segundo o professor, o bar prestou apoio ao casal vítima de homofobia. “O Deboche é conhecido por ser um lugar alternativo, que recebe bem o público LGBTQIA+. Eles foram muito atenciosos e prestaram apoio. O bar estava cheio, mas ficou todo mundo contra esse rapaz”, diz a vítima.

Em nota, o estabelecimento repudiou o ato homofóbico e disse que “condena qualquer tipo de ação preconceituosa e/ou intolerante”.

“Nossa equipe é treinada para iniciar o acolhimento à vítima e, posteriormente, a polícia com a permissão do agredido. Casos como esse estão por toda a parte e só serão vencidos se todos nós estivermos juntos. Preconceituosos não são e, nunca serão, bem vindos no Deboche. Em tempos como esses é preciso amor e ação. Sócios e funcionários estarão ao lado da vítima até que todos os fatos sejam apurados.”

Quer ficar ligado em tudo o que rola no quadradinho? Siga o perfil do Metrópoles DF não Instagram.

Receba notícias do Metrópoles no seu Telegram e fique por dentro de tudo! Basta acessar o canal: https://t.me/metropolesurgente.

LEAVE A REPLY

Please enter your comment!
Please enter your name here