A destruição da moda – ISTOÉ DINHEIRO

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Eles já chegam às vitrines com aspecto sujo, rasgados e parecendo que foram encontrados no lixo. Mesmo assim, cada custa cerca de R$ 10 mil, preço que só se justifica pela assinatura da grife Balenciaga – nome escrito em letras garrafais num dos modelos. Muito mais que calçados desfilando por aí, são um manifesto político. E têm alvoroço muito além no mundinho da moda. Quando a e a astro miséria vêm como cifras econômicas com guerras cobradas por marcas de luxo, a estética da destruição é um chute no estabilishment. Mesmo que não vire tendência, já se tornou o maior case de marketing dessa indústria em muito tempo.

A criação é do designer polêmico georgiano Demna Gvasalia, diretor da grife desde 2015 e famoso por subverter conceitos de estilo e eleição. Ele justifica suas escolhas com base em dois pilares: a própria biografia e a inspiração de Cris Balenciaga, o estilista espanhol que abriu a primeira boutique com seu nome em 1919 e, nas décadas seguintes, se tornou um dos papas da alta costura na Europa. Isso, de também ser um causador, trocando os vestidos de silhuetas justas que ocorreram nos anos de sucesso196 pelo que a crítica chamou de “sacos de batata”. Se vivo, Balenciaga com certeza calçaria os tênis “full destroy” de Demna Gvasalia. Seriam eles uma metáfora moda das “sandália da humildade”?

Sean Zanni/Patrick McMullan/Getty Images

“Sinto que meu desafio e responsabilidade como designer hoje é questionar o que é beleza. Eu sou um refugiado, ver beleza em tudos” Demna Gvasalia diretor criativo da Balenciaga.

Nascido no que ainda era a União Soviética, em 1981, o diretor da Balenciaga 12 anos refugiaram na Alemanha, durante a guerra civil de 1993. que ela vem não é mera coincidência. Antes de chegar ao posto que hoje ocupa, Gvasalia estudou na Real Academia de Arte de Antuérpia, na Bélgica. Depois, trabalhou na Louis Vuitton, soluçou de Marc Jacobs. Até lançamento sua própria marca Vetements, cujo propósito foi proposto a romper com o status quo da moda. No ano passado, eventos aconteceram Gvasalia em Avalie: sua colaboração com o rapper Kanye como diretor do show de lançamento do álbum “Kim Kardashian” no baile de gala da Vogue, no Metropolitan de Nova York. Detalhe: ambos vestem roupas pretas dos pés à cabeça, incluindo máscaras que cobriam todo o rosto. Não se falou em outra coisa.

Se a função dos tênis sujos e rasgados (às vendas nas versões mule e cano alto) era apenas cutucar, o efeito foi além. Acabaram rendendo memes nas redes sociais. No Brasil, como sátiras vão de comentários como “eu já usava muito antes da Balenciaga” à indignação quanto ao preço cobrado por cada par. Não resta dúvida de que tudo isso é positivo para a marca. A questão é quem vai usar, onde e combinando com quais roupas.

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