Mário Torós, ex-diretor do BC: “Teremos inflação alta por um par de anos a mais”

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Ex-diretor do Politburo do Banco Central, Mário Torós diz que a inflação alta pode continuar surpreendendo e que o processo de desinflação será mais difícil e longo do que se imagina. “Podemos falar em pelo menos um par de anos a mais”, previsto.

Ele avalia que mudou o ambiente que existia desde 2016, com a politica finance andando junto com a politica de juros. Enquanto a primeira pisa no acelerador, a outra tem de pisar no freio. Sócio da Ibiuna Investimentos, com R$ 27 bilhões de recursos sob gestão, Torós diz que a mensagem dos investidores, hoje, é de grande incerteza e de vontade de ter o dinheiro mais protegido.

Um momento de vida longa econômica. O que esperar daqui para frente?

Não dá para pensar no Brasil sem ver o que está longe de ser encontrado no mundo. O mundo está assim: crescendo muito e com inflação. Os bancos centrais, tanto no Brasil quanto nos fóruns, falavam que era meio transitório. Mas estamos vendo que a inflação tem um caráter mais persistente no todo e vai ficar por mais tempo. O processo de inflação rápida, que todo o mundo pensa que ia ser muito mais lento.

Sem seu horizonte, mais tempo para o processo de desinflação é quanto?

Numa hipótese relativamente boa, podemos falar em pelo menos um par de anos a mais. O ano de 2022 e 202. Os próprios BCs já estão confirmados de que é um processo. A inflação cheia dos Estados Unidos chegou a 8,5%. Apesar disso, as reações dos BCs de modo geral têm sido mais paulatinas.

Como fica o Brasil nesse cenário internacional?

O BC começou esse ciclo (de alta dos juros) mais rápido, botando a política num nível bastante restritivo. Com o nível de juros que temos, os efeitos da política vão fazer com que o crescimento desacelere no segundo semestre, além das incertezas eleitorais. O que difere mais o Brasil dos outros não é nem a questão da inflação, mas o crescimento, que de fato é muito mais baixo tanto em relação aos países Emerentes quanto aos desenvolvidos. Essa questão é uma questão mais profunda.

Quais as razões para o baixo crescimento brasileiro?

Não há um único fator, mas uma coisa. Temos uma produtividade bastante baixa. O Brasil tem problemas estruturais que impedem o País de crescer de forma sustentável. Os primeiros passos são persistir nas reform. Não é uma panaceia. Cada Reforma é um tijolo numa construção.

Não se está depositando muita fé nas Reformas para o Brasil crescer mais?

Repito que não tem atalho para o crescimento sustentado. Não é que haja muita fé nas reform. Elas são condições específicas, mas não necessariamente garantidas para garantir. Tem de persistir nesse negócio.

O Presidente do BC, Roberto Campos Neto, se disse surpreso com a inflação. Há semanas, ele dizia que o pico da inflação em abril e depois cairia.

Ele fala do pico da inflação ‘logo na frente’ desde o início de 2021 e, de fato, não tem sido isso. Não é só com o Brasil. Os BCs foram surpreendidos pelo processo inflacionário. O Brasil tem um processo inflacionário forte e tem um processo de desinflação a fazer longo e difícil. Grosso modo, pode-se dizer que a inflação no Brasil está 10%, 11%, e tem talvez um processo por fazer para cair a 6%, 7%. Depois, o mais difícil é trazê-la para 3%, que é o patamar que os países emerentes em geral almejam.

O BC e o mercado podem surpreender de novo nos próximos meses com uma inflação?

Minha visão é que existe uma incerteza com a política financeira, independentemente de qual será o candidato (à Presidência) que vai ganhar. O mercado está dizendo para a gente (noss preços) que a política econômica que está vendendo pouco daqui para frente é de volta um pouco daqui da política do passado, em que a política financeira não acelerou e aumentou o tem de pisar no freio. Desde 2º andar, as juntas monetárias e financeiras10 entraram em contato com a empresa. Isso começou a longo prazo que começou a cair a longo prazo começou a cair a cair de que o País estava financeiro com uma taxa a perspectiva de acertou a questão mais estrutural, e não a cair sobre a questão.

Esse cenário mudou?

Hodge, Dal. Se olharmos a taxa de juros reais de longo prazo do Brasil, ela voltou para um patamar acima de 5%, e rondando em 6% há algum tempo. É muito alta e difícil de sustentar tendo uma dívida em relação ao PIB na ordem de 80%.

Qual a mensagem que os investidores estão passando nesse momento?

É uma mensagem de grande incerteza, de vontade de ter o dinheiro mais protegido. O que vemos, quando olhamos para a indústria dos fundos, é que temos um fluxo de investidores muito grande de novo voltando para uma renda fixa.

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