Ibovespa cai mais de 2,7%, com fala “hawkish” do Fed; dólar acelera alta e avança quase 4% e vai a R$ 4,81

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A sessão é de queda para o Ibovespa na volta do feriado de Tiradentes, repercutindo o mau humor das bolsas internacionais na véspera, dia em que a B3 ficou fechada. A baixa prossegue nesta sexta-feira (22).

A queda dos mercados afetou os ADRs (American Depositary Receipts, na prática, as ações das empresas negociadas na Bolsa de Nova York). Além do declínio de papéis de peso na carteira do Ibovespa ontem na bolsa americana, destaque ainda para Eletrobras (ELET3;ELET6), na esteira do adiamento em 20 dias pelo Tribunal de Contas da União (TCU) do processo de privatização da estatal, em revés para o governo. Os ativos caem mais de 4%.

Com isso, o Ibovespa registrava baixa de 2,50%, a 111.490 pontos, às 15h20 (horário de Brasília). Já o contrato do dólar futuro para maio subia 3,97%, a R$ 4,819. O dólar comercial avançava no mesmo horário 3,96%, a R$ 4,803 na compra e a R$ 4,804 na venda. A Vale (VALE3) recua mais de 5% e a CSN (CSNA3), mais de 7%. As ações ordinárias e preferenciais da Petrobras (PETR3;PETR4) também têm fortes baixas, de, respectivamente, 3,53% e 2,99%.

O grande vetor para a queda do mercado acionário é a fala “hawkish” (mais dura sobre juros) da véspera de Jerome Powell, presidente do Federal Reserve, que apontou que um aumento de 0,5 ponto percentual nos juros estará “sobre a mesa” quando o Fed se reunir em maio, acrescentando que seria apropriado “agir um pouco mais rapidamente”.

Já autoridades do Banco Central Europeu (BCE) afirmaram que o banco pode começar a elevar os juros da zona do euro já em julho, enquanto a autoridade do Banco da Inglaterra Catherine Mann disse que os custos de empréstimos provavelmente terão que aumentar mais. Os mercados monetários da zona do euro precificam agora alta de 0,25 ponto nos juros até julho.

Desempenho dos ADRs no feriado e commodities

Em meio às falas de Powell, as bolsas em Wall Street fecharam a última sessão em queda, devolvendo os ganhos da manhã, com o S&P 500 em baixa de 1,48%, enquanto o Nasdaq perdeu 2,07% e o Dow Jones recuou 1,05%.

A queda se estende neste sexta. Após abrir em leve baixa, os índices americanos viram os recuos acelerarem depois da publicação dos PMIs de serviço e composto, que frustraram o consenso – com leituras de, respectivamente, 54,7 e 55,1, ante 58 e 57 aguardados. O fato de o PMI industrial ter vindo um pouco melhor do que o esperado, com leitura de 59,7 ante 58,2 aguardado, não barrou o pessimismo. O Dow opera em baixa de 2,04%, S&P em queda de 2,07%, enquanto o Nasdaq futuro opera recuando 1,97%.

A baixa da véspera fez com que o Dow Jones Brazil Titans 20 ADR, que reúne as principais empresas brasileiras listadas na B3 com recibos de ações negociados nos Estados Unidos, fechasse a última quinta em queda de 3,51%, a 20.347 pontos, enquanto o EWZ, principal ETF brasileiro negociado no mercado americano, que replica o índice MSCI Brazil, teve queda de 2,63%, a US$ 36,32.

Poucos ADRs tiveram ganhos na sessão da véspera, sendo que ativos como CSN (CSNA3), Vale (VALE3) e Petrobras (PETR3;PETR4) foram destaque de baixa, o que repercute nesta sessão. A exceção ficou com os ativos da Azul (AZUL4), que fecharam em alta, como pode ser visto no quadro abaixo:

Confira o desempenho dos principais ADRs de empresas brasileiras na NYSE na quinta-feira (21), dia de Bolsa fechada no Brasil: 

Empresa ADR Preço (em US$) Variação
CSN SID 4,75 -7,41%
Cemig CIG 3,11 -4,60%
Vale VALE 17,65 -4,34%
Petrobras (equivalente às PNs) PBR.A 13,11 -4,17%
Sabesp SBS 9,82 -3,91%
Eletrobras EBR.B 8,84 -3,91%
Petrobras (equivalente às ONs) PBR 14,58 -3,83%
Bradesco BBD 4,01 -3,84%
Ultrapar UGP 3,01 -3,68%
Gerdau GGB 6,03 -3,60%
Pão de Açúcar CBD 4,87 -3,37%
Itaú Unibanco ITUB 5,42 -3,21%
Santander BSBR 7,42 -2,88%
TIM TIMB 14,25 -2,46%
Embraer ERJ 11,77 -2,32%
Ambev ABEV 3,11 -2,20%
BRF BRFS 3,19 -1,85%
Telefônica Brasil VIV 11,21 -1,32%
Gol GOL 7,02 -0,99%
Azul AZUL 16,1 2,74%

Nesta sessão, as taxas dos principais contratos de juros futuros têm movimento de alta – tendência que se fortaleceu por conta do avanço do dólar. O contrato com vencimento em janeiro de 2023, contudo, recua um ponto-base, a 13,03%. O de 2025, por outro lado, avança oito pontos-base, a 12,11%, enquanto de 2027 sobe 14 pontos, a 11,91%. Já o de 2029 tem avanço de 14 pontos, a 12,02%.

Hoje, em evento com investidores, o presidente do Banco Central (BC), Roberto Campos Neto, declarou que o Comitê de Política Monetária (Copom) está pronto para ajustar o tamanho do ciclo de aperto monetário caso choques inflacionários sejam maiores ou mais persistentes do que o esperado.

A pressão sobre as commodities continua no radar dos mercados na sessão desta sexta.

O preço do minério de ferro na bolsa de Dalian fechou a sessão em queda, encerrando a semana com a primeira perda semanal em dois meses, já que preocupações com a fraqueza da demanda na China, maior produtora mundial de aço, superaram os riscos de oferta sinalizados pelas maiores mineradoras do mundo.

O contrato de minério de ferro mais negociado para setembro na bolsa de commodities de Dalian caiu 2,4%, para 881 iuanes (US$ 136,16) a tonelada, depois de atingir 876 iuanes no início da sessão, o menor nível desde 14 de abril. No acumulado da semana, o recuo foi de 2,6%.

O petróleo caminha para uma perda semanal de cerca de 4%, com o brent em baixa de cerca de 1,5% nesta sessão, a US$ 102,18 o barril, em meio ao cenário de alta de juros nos EUA e preocupações com o crescimento na China e também com a economia global, mesmo quando a União Europeia considera uma proibição do petróleo russo que restringiria ainda mais a oferta.

Sobre o gigante asiático, o presidente do banco central da China prometeu nesta sexta-feira manter a política monetária expansionista para sustentar a economia em desaceleração, com medidas como ajuda a pequenas empresas e setores atingidos pelos surtos de Covid-19, reforçando expectativas de que adotará mais medidas modestas de afrouxamento.

Mas Yi Gang, presidente do Banco do Povo da China, também destacou a necessidade de manter a estabilidade de preços em meio à pressão inflacionária global.

Já na Europa, o PMI composto da zona do euro teve um inesperado avanço em abril, a 55,8, mas às custas do setor de serviços porque a manufatura segue enfraquecida. Já no Reino Unido, a indústria surpreendeu positivamente e o segmento de serviços decepcionou. Além disso, as vendas no varejo britânico sofreram queda bem maior do que se previa em março. Na França, atribui-se grande expectativa ao segundo turno da eleição presidencial, marcado para domingo (24); o presidente Emmanuel Macron figura na frente das pesquisas.

Noticiário político

No noticiário brasileiro, atenção para as notícias da política e sobre reajustes salariais. O presidente Jair Bolsonaro assinou na quinta decreto que dá indulto ao deputado federal Daniel Silveira (PTB-RJ), condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STJ) a oito anos e nove meses de prisão pelos crimes de tentativa de impedir o livre exercício dos Poderes e coação no curso do processo.

O anúncio do indulto foi feito por Bolsonaro por meio de live nas redes sociais. O decreto foi publicado logo após a transmissão, em edição extra do Diário Oficial da União. A medida tem potencial para abrir nova crise com a cúpula do Judiciário.

Já os jornais do dia destacam as pressões de servidores por reajustes, com possíveis reflexos para a política fiscal. Os Policiais Federais marcaram protesto para o dia 28, após se dizerem frustrados com propostas do governo. Funcionários da CVM aprovaram operação-padrão a partir de segunda-feira, com o objetivo de pressionar o governo federal por maior reajuste salarial. Já os funcionários do BCB suspenderam greve e dizem publicar o Boletim Focus às 8:30 de terça-feira (26), com datas-referência de 1º, 8, 15 e 22 de abril.

Paulo Guedes, ministro da Economia,  afirmou em discurso ontem que conceder um aumento de 5% aos servidores é possível, mas será preciso fazer ajustes no orçamento. No entanto, continuam as pressões em diversas carreiras por maiores reajustes.

Guedes e o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, seguem com agendas em Washington, onde participam das reuniões do Fundo Monetário Internacional e do Banco Mundial.

(com Reuters)

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