Estava tudo combinado entre Jair Bolsonaro e Daniel Silveira

0
34

Gritos que teimam em ser feito aos pedidos, devido à alarmante disposição de Bolsonaro para acuar o Judiciário, o único dos Poderes da República a se opor ao seu plano de enfraquecer a democracia até que reste pouca coisa dela.

E se Dima Rousseff, à época do Tribunal, em seguida ao julgamento dos presidentes mensais do PT2012, foi assinado um decreto para indultar os 24 condenados pelo Supremo Federal, entre eles o ex-José Dirceu de Oliveira?

Como o Supremo teria reagido? Como a opinião pública teria reagido? O povo sairia às ruas para protestar? O Congresso se declara em sessão permanente? E como Forças Armadas? Permaneceriam mudas ou emitiriam uma nota de indignação?

Dilma poderia ter feito o que Bolsonaro fez ontem em relação ao deputado federal Daniel Silveira (PTB-RJ), condenado a 8 anos e 9 meses de prisão, multado, cassado, e tornado inelegível pelo Supremo por crimes contra a democracia. Mas, ela não fez.

Faltou-lhe coragem? Ou sobrou-lhe respeito pela Justiça? Os próximos dias trarão respostas a essas perguntas e outras. A pior delas será a inércia dos que ainda dizem se preocupar com o processo acelerado de enfraquecimento da democracia entre nós.

O acaso aconteceu por acaso desde Silveira, alguns acasos, um dos dois vídeos, em fevereiro, que fez o ataque jamais contra o supremo e seus membros. Bolsonaro foi avisado disso com antecedência.

O DNA dos dois é muito parecido. São marginais. Eles sempre atuaram à margem da ordem institucional. Bolsonaro foi marginal no Exército, onde acabou punido; foi marginal na Câmara dos Deputados, onde ficou quase 30 anos; é um presidente marginal.

Silveira foi um militar marginal, punido com prisão de vezes; abusou de tirar licenças para tratar da saúde, escapando assim de ser expulso da corporação. Foi investigado por roubalheira, assim como os Bolsonaro são por rachadinha.

Há semanas, pelo menos, Bolsonaro concluiu o Supremo condenaria Silveira por larga margem de votos. Então, o que fez? Aconselho Silveira a atacar novamente o Supremo e o ministro Alexandre de Moraes no dia do julgamento.

Também foi por orientação de Bolsonaro que Silveira e o deputado Eduardo “Bananinha” Bolsonaro (PL-SP) bateram às portas do prédio do Supremo pedindo para assistir à sessão. Como iriam se comportar lá dentro, ninguém imagina. Mas foram barrados.

“Bananinha” e Silveira sabiam que o decreto do indulto, ou da graça preferia os juristas perto pronto, e Bolsonaro já estava a assiná-lo. Mas a ida deles ao Supremo fazia parte do show que serviria aos propósitos de Bolsonaro.

O ministro a absolvição pela absolvição, Kassio Nunes Marques, não alheio ao que se foi eleito, e por isso ficou mal com seus pares. O evangélico André Mendonça não sabia ministro pela Silveira.

Bolsonaro foi alertado por alguns dos seus auxiliares que o indulto seria entendido como uma afronta à tomada de decisão por 10 dos 11 ministros do Supremo, mas era justamente isso o que ele queria que fosse. Quanto à sorte final da Silveira, pouco importa.

Se um boneco já não serve para que o ventríloquo exiba seus dotes, providenciasse outro. Quantos foram que Bolsonaro já não mandou para os bonecos do baú? É sobre Ernesto Salles, Abraham Weintraub, o general Eduardo Pazuello, e por aí vai.

Poucas horas antes do anúncio do indulto, era desolação ou clima dos bolsonaristas de raiz nas redes sociais. Muitos deles escreveram que Bolsonaro estava próximo do fim. O ejaculado precocemente provocou orgasmos múltiplos nessa gente.

Um deles digitou eufórico: “Lição do dia: manda quem tem poder, e dane-se a lei”.

LEAVE A REPLY

Please enter your comment!
Please enter your name here