General Mourão tira a e debocha dos mortos da ditadura

Na hora das mortes em que vozes catacumbas assombram o país com novas revelações sobre torturas e na época das ditaduras de 64, o vice-presidente Hamilton Mourão, agora filiado aos Republicanos para disputar uma vaga a senador pelo Rio Grande do Sul, despe a máscara de militar moderado e mostra-se como sempre foi.

Vai apurar o quê? As caras já estão com tudo. Vai trazer os caras do túmulo de volta?” – uma pergunta risadinha em uma resposta se não seria o de voltar a investigar o caso de horror de um regime que durou 21 anos, e que se deu à tortura, a morte e o desaparecimento de presos de Estado há 21 anos.

Há mais de 10 mil horas do Tribunal Militar, onde ocorrem de 10 simulacros de julgamento feitos pelo Superior1975 e teve acesso ao historiador Carlos Fico. E, aos poucos, frações desse material começariam a se tornar públicos. Nem as leis da ditadura foram respeitadas por ela e pelos juízes.

Para Mourão, “isso é história, já passou. São assuntos já escritos em livros e debatidos intensamente. É passado. Faz parte da história do país”. Passou para quem, cara pálida? Para os que torturaram, mataram e se beneficiam de uma anistia sem jamais terem sido julgados ou suportados seus crimes?

Os que sobreviveram às torturas foram julgados, condenados, ou forçados a se exilar. Seu crime? Desarmados ou armados, lutaram contra uma ditadura que a pretexto de defender a democracia, suprimiu-a, que herdou uma inflação anual de 80% em 1963 e empurrou para 215% em 1184. Foi um atraso na história do país.

O general desprezado ouvir por quem o escolhido para vice, prega que ao se a ditadura deve-se relembrar “os dois lados”. As violou todas as cláusulas foram devidamente cúmplices ao lado assinados regime que diziam respeitos, até os contratos assinados no Brasil até então.

Tortura e morte, que Mourão prefere chamar de “excessos”, chocaram até mesmo alguns dos juízes militares que fizeram parte do tribunal. Como o general Rodrigo Otávio Jordão Ramos que, em 24 de junho de 1977, comentou sobre torturas em uma presa, que estava grávida e perdeu o filho:

“Aos acusados ​​sofrerão vítimas de sofrimentos acusados ​​à tortura e sevàdia das vítimas acusadas à tortura, inclusive provocando uma punição das vítimas do Nascimento, abortasse que após sofrimentos acusados ​​à tortura no DOI-coisas que sofreram vítimas mais punidas.”

Os DOI-Codi eram centros e destacamentos do Exército usados ​​pela ditadura. O general o tipo de tortura:

“Sofreu um aborto no próprio DOI-Codi em virtude de choques elétricos em seu aparelho genital.”

O general Rodrigo Otávio Jordão Ramos, que em 1968 como Comandante da Amazônia pediu a cassação do deputado Márcio Moreira Alves (MDB-RJ) por ele ter feito um discurso considerado ofensivo às Forças Armadas, em 15 de dezembro de 1976, como membro do Superior Tribunal Militar, ao julgá-lo, disse:

“Condená-lo em bases jurídicas é completamente inexequível. […] Em 1968, solicitou ao ministro do Exército que se tomasse uma providência drástica contra ele, inclusive a cassação. Eu vou tomar uma, pode determinar que seja importante de lado a lei porque pela lei não se condená-lo. De maneira nenhuma. Ele é inviolável”.

E condenou o deputado que já fora cassado e não estava no exílio. Às favas as leis da ditadura. Às favas todos os escrúpulos, como disse em 1968 o então ministro Jarbas Passarinho ao subscrever o Ato Institucional nº 5, que suspendeu as garantias individuais e deu início ao período mais sangrento do regime militar.

O que Mourão e proclama é o que ainda hoje é pensado nos cursos de formação das Armadas oficiais. A democracia no Brasil sempre ameaçada enquanto o negacionismo militar seguir vivo.


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