Próximo presidente da estatal pode acabar virando ‘bucha de canhão’ – Money Times

0
56

Petrobrás
No próximo dia 13 acontece a Assembleia Geral de Acionistas da Petrobras (PETR4). (Imagem: REUTERS/Sergio Moraes)

O governador federal ainda lidava com a notícia da Desistência de Rodolfo Landim para o Conselho de Administração da Petrobrás (PETR4) no último domingo (3) quando Adriano Pirescotado para assumir a mão do chefe da estatal, também abriu a mão na tarde de ontem (4).

Pires foi o nome escolhido para subir o general Joaquim Silva e Lunadespachado no último dia 28. A troca só seria oficializada, no entanto, no próximo dia 13, dia de assembleia geral de acionistas.

Doutor em Economia Industrial pela Universidade de Paris XIII, sua última passagem pelo governo foi como assessor da diretoria da Agência Nacional de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (ANP). Também lecionou na Universidade Federal do Rio de Janeiro, e atualmente é diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE).

O nome do economista era bem visto pelo mercado. Ele, que fez carreira no setor de energia, é defensor de uma Petrobras independente e já falou até em privatizar uma estatal. No entanto, tê-lo como certo ainda não era algo tidos como certo.

Seu nome é o Ministério Público junto ao Tribunal da União (MPTCU), possui a preocupação que vai ocupar de empresas de interesses de investimentos, tendo em vista gás e petróleo.

Para assumir o cargo, ele teria que abrir as mãos desses investimentos e do comando de sua empresa. A princípio, quem o substituiria na função seria seu filho, Pedro Rodrigues Pires — essa possibilidade, no entanto, não era a ideal.

Na carta entregue ao Ministério de Minas e Energiao economista diz que ficou claro que ele não poderia conciliar o trabalho consultor com o exercício de seu presidente da Petrobras.

“Iniciei os procedimentos para desativar o Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE), que fundei há mais de 20 anos e hoje dirijo em sociedade com meu filho. Ao longo do processo, porém, percebi que infelizmente não tenho condições de fazer-lo em tão pouco tempo”, diz um trecho.

Agora outros passam a ser cotados, como é o caso de Caio Paes de Andrade, secretário especial de Desburocratização, Gestão e Governo Digital do Ministério da Economia, segundo o jornal O Globo.

Enquanto isso, o Silva e Luna continua fazendo carga. O general que só deixa a cargo da Petrobras, quando o nomeado assumiu a dizer que “deixou as mágoas do lado e segue à provisão do lado”.

‘Bucha de canhão’

Para Ildo Sauer, diretor do Instituto de Energia e Ambiente da Universidade de São Paulo (USP) e ex-diretor da Petrobrás entre 2004 e 2007, Pires precisaria avaliar que se estabelecerá a se submeter a diz ser o “escrutínio” do governo.

De fato, isso começou a acontecer. Foi feito um dossiê sobre os históricos tanto de Pires como de Landim. Segundo informou o jornal O Globo, o relatório teria “assustado” o ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque e técnicos da CGU (Corregedoria-Geral da União).

Ele também pondera que falar em privatização é algo complexo, visto que tomar essa decisão não seria prerrogativa do cargo. “Se ele vai lá com uma agenda política, de privatizar, [isso] não é agenda do presidente da Petrobras. O presidente da Petrobras é um dirigente que tem que zelar pela condução empresarial da companhia, [pensar em] maximizar os ganhos”.

Ele também que hoje há quatro grupos com destaques distintos para a Petrobras. “Primeiro tem os acionistas, quem quer o máximo de valores possíveis para eles. Depois, o consumidor brasileiro de gasolina, que quer o combustível mais barato. Em terceiro, o povo que sequer anda de carro e quer destinar essa educação para serviços básicos como saúde e receita brasileira. E por fim, grandes empresas como Exxon, Shell, Equinor, que estão aqui e não têm acesso às reservas de outros países”, diz.

Já a política de preços da estatal — que entrou na mira de críticas do presidente Jair Bolsonaro (PL) por conta da disparidade no preço dos combustíveis — não é algo facilmente “fácil”, independentemente de quem ou presidente na cadeira de CEO da Petrobras, independentemente da pressão pela queda da gasolina e diesel.

“A lei é a mesma e não tem como agir muito diferente disso. Veja ele [presidente da Petrobras] para lá [tentar fazer isso]vai virar bucha de canhão, vai levar chumbo para tentar salvar as vidas para o atual”.

LEAVE A REPLY

Please enter your comment!
Please enter your name here