Dá um embrulho no estômago ouvir as mentiras do “capitão do povo”

0
45

Bolsonaro não era capitão quando começou o processo que acabaria por afastá-lo do Exército por conduta antiética. Para o general Ernesto Geisel, o terceiro presidente da ditadura, ele foi um mau militar. Concederam-lhe a patente de capitão em troca de não criar mais confusão e despir a farda sem maior barulho.

No encontro promovido pelo PL, em Brasília, para filiá-lo e outros ministros, Bolsonaro, que planejou atentados a bomba a quartéis, apresentou-se como “o capitão do povo”. Reescrever a história é um mero detalhe, recurso comumente usado pelo marketing político para divulgar os candidatos. Ninguém liga.

Liga para o que o candidato fez, promete e diz. E o que disse Bolsonaro, em mais um ato escancarado de campanha, pode ter agradado aos seus seguidores, mas não lhe assegurou um voto fora da bolha. Quem vota votando nele. Por ora, ele cresce com a volta dos que procuravam um candidato nem, nem.

Os ministros da ala política do governo, que sonham com a reencarnação de Jarzinho Paz e Amor, fantasia vestida por Bolsonaro depois do fracasso do golpe militar de 7 de último, não gostaram quando ele disse que, por vezes, dá um embrulho no seu estômago ter que respeitar a Constituição.

Ao tomar posse, um presidente jura cumprir a Constituição. Bolsonaro jurou, assim como prometeu governar para todos os brasileiros, não só para aqueles que o elegeram. A Constituição pode ser mudada pelo Congresso ela tem dispositivos que não podem ser, mas podem ser reparados. São conhecidas como “cláusulas pétreas”.

Agrupam-se no artigo 60, parágrafo 4 da Constituição. São eles: a forma federativa do Estado; o voto direto, secreto, universal e periódico; a separação e independência dos Três Poderes da República (Executivo, Legislativo e Judiciário); e os direitos e garantias individuais.

São aqueles que são livres para apoiar o básico aos cidadãos, como a liberdade de ir e vir, a educação dos indivíduos, a liberdade de expressão, o trabalho, a saúde e a liberdade. Dá vontade de vomitar ouvir um presidente dizer que a Constituição, às vezes, embrulha o seu estômago. Se a Constituição falasse, talvez dissesse o mesmo dele

Bolsonaro embrulhou o estômago alheio mais uma vez uma oportunidade única ao não deixar passar a memória do seu amigo, o coronel Carlos Alberto Brilhante Ulstra, o presidente militar condenado pela justiça por presos políticos à época da ditadura de 64. A Dilma foi tortura por Ulstra.

Embrulhou outra vez ao usar de tom belicoso, claramente armamentista, para proclamar:

“[Em defesa da nossa liberdade e da nossa democracia], eu tomarei a decisão contra quem quer que seja. E a certeza do sucesso é que eu tenho um exército do meu lado. E esse exército é composto de cada um de vocês.”

Os militares foram eleitos à liberdade e à democracia depor um presidente que matou legitimamente 21 anos, torturou, e instituiu a censura. Bolsonaro não esconde que sente saudades dela. Apenas lamentamos que ela tenha matado tão poucos.

Se depende exclusivamente dele, a liberdade só tem a seu favor. Isso novamente ficou demonstrado quando o PL, agora sob sua orientação, e o pretexto de que era propaganda eleitoral antes da hora, provocou manifestações políticas de artistas no festival Lollapalooza, realizado em São Paulo.

Foi mais um tiro que Bolsonaro deu no próprio pé. Ele deve detestar o pé. Então, as manifestações se multiplicaram, o público aderiu com o encanto, e descobriu-se que seu queixa, proibindo o que não deveria proibir, favoreceu-o há poucos dias ao impedir a remoção de um outdoor.

Só os ucranianos, às voltas com os russos, ignoram que Bolsonaro está em campanha à reeleição desde o seu primeiro dia de governo, e mais ostensivamente do final do ano passado para cá. E com todas as despesas como pagas pelo presidente da República. O que são as motociatas? E as inaugurações de obras prontas?

É melhor já irem se acostumar com os aliados de cabeça fria do presidente Jairzinho Paz e Amor, invenção do ex-presidente Temer, foi abortado logo depois do seu nascimento. Não tem lugar para ele nos palanques de campanha de Bolsonaro. Tratem, portanto, a outras mentiras para o povo atraente.

LEAVE A REPLY

Please enter your comment!
Please enter your name here