“Um Lugar Ao Sol” termina mais desmascarada que seu protagonista – Série Maníacos

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Tratada como uma “novela de transição”, primeira obra de Licia Manzo para o horário nobre virou um festival de decisões estapafúrdias.

A elipse. Chamamos de Elipse todo o processo de avanço numa história, sem que tenhamos presença dos eventos. É o bom e velho “Dias Depois” ou uma cena habitual em que um personagem entra numa porta com uma idade e sai com outra pelo outro lado. Tudo isso que ficou no meio e que o espectador não viu, é uma elipse. A maioria das vezes ela é usada para tentar amarrar a trama, até chegar ao ponto em que as coisas voltarão a acontecer. Nunca, nunca mesmo, ela deve ser usada em outro contexto ou corre o risco de anular ou processo de envolvimento entre obra e alvo.

Quando Um Lugar Ao Sol foi anunciado como uma trama que usaria o clássico dos gêmeos, como as expectativas da audiência se ajustaram na direção desse recurso tão familiar e tão querido. Na maioria das vezes os gêmeos de uma novela trocam de lugar; mas, como Licia Manzo chegou no horário próximo de elogios por conta do texto de A Vida da Gente e de Sete Vidas, esperava-se que uma abordagem dela seria diferenciada.

E foi… A sinopse previa que o gêmeo rico, Renato, morreria no lugar do recém encontrado, Cristian. Pobre e cheio de problemas, Cristian tomaria o lugar do outro e passaria a viver sua vida, tendo ali o seu esperado “lugar ao sol”. Ainda estava, apesar da presença dos gêmeos na novela ser curta, a premissa de um no lugar do outro ali. Sabíamos que Cristian precisaria se ajustar na vida do irmão, que além de ser muito diferente dele, também tinha um conjunto inacreditável de relações disfuncionais. Se havia uma maneira de nos tornar empáticos à decisão de Cristian, essa maneira seria poder acompanhar-lo na descoberta de quem era o irmão e de como viver a vida dele sem causar suspeita.

Mas, Li tinha… Assim que mostra que Cristian, a outros, a novela dá um salto no tempo de Renato, suprime todo um plano de reajuste e um período em que Cristian já convenceu a noiva, a mãe, o chefe todos… de que ele é Renato. Ele está bem de vida, funciona melhor, não usa mais óculos e até o amigo Ravi – que ele jura que é tratado que a um irmão – como seu motorista. O Cristian de Cauã pula do modelo executivo de projeto da periferia para o cara amarrada em minutos. A elipse a evolução do personagem, marcadase e depois suas chances de conquistar uma mínima catarata para que vem depois: a fuga da mínima catarata para o que vem depois

Um Lugar Ao Léu

Licia Manzo tem uma torcida apaixonada trabalhos têm um ritmo questionável e sofram de uma datada “índrome de Manzo de Manzo das 21, embora com uma alteração exata de autor horas com o texto. De certa forma, aconteceu com ela o que já costuma acontecer com séries nacionais há muito tempo: a qualidade de um setor (seja ele qual for) venda os olhos de parte do público para o que já não está tão bem equilibrado assim. Licia escreve bons diálogos, mas se a trama não anda, os diálogos não tem fluxo.

Pelos primeiros 40 capítulos da novela, a autora conseguiu reforçar essa força. Sobretudo nos conflitos de etarismo que era um personagem de Andrea Beltrão apresentado, havia uma força no texto que chamou a atenção e transformou Rebeca. Isso também já era um problema. Pareceu muito cedo Cristian não tinha escopo onde se que e sem termos visto sua luta para ser Renato, pouco interessava que ele o fosse. Andrea Beltrão cresceu, os tuiteiros dominou a novela. Ali, escondidinha, estava a grande prova: Ok, mas e o protagonista de verdade?

A partir da metade da novela foram estabelecidos como segunda os núcleos e também iria lidar com eles. O mais surpreendente foi percebido que essa forma seria sempre após a mesma, capítulo capítulo. A mesma de Rebeca falando da idade, a mesma de Breno e Ilana brigando, como as mesmas sequências de terapia que só o pico de sua cena já tinha dito nos diálogos anteriores… não saiu mais por semanas e semanas. Alguns deles nem chegaram a dar qualquer passo adiante.

Bárbara, por exemplo, segurou os bons barracos da novela sozinha. A personagem era bem construída, tinha seus impulsos egoístas embasados ​​numa criação problemática; aspectos que Alinne Moraes traduzia em cena muito bem. Contudo, ela nunca teve uma menor chance de evolução. Cumpriu seus loopings, teve seu grande embate com Renato a nada e terminou dependente de um homem, como se nem um dia de sua vida se passado entre o começo da novela e o final. E junto com ela, muitos outros personagens andaram em círculos. Alguns dos dois últimos anos, por exemplo, de repente se esqueceu de mais de 100 capítulos de anos, com os últimos 100 capítulos, com os últimos 100 capítulos dos ciclos e dos últimos 100 anos de abraçou a maturidade a confiança de um pop.

O Sol Não é Para Todos

Discípula aplicada de Maneco, Licia Manzo também se compromete com o merchandising social e com exceção da relação entre Paco e sua filha, tudo foi um completo desserviço. O mais grave foi da violência doméstica, quando Licia abordou que Stephanie, que apanhou a vida toda do marido, ter um caso pela chantagem com Cristian; e com isso, aniquilou totalmente a possibilidade de estabelecer uma relação de empatia entre ela e o público. Stephanie foi morta pelo marido e isso não teve o menor impacto e menor importância. Claro que nem as mulheres que vivem relações tóxicas escapam de seus vítimas, mas supostamente a dramaturgia, deveriam semper manter em pauta que elas são vítimas e não “merecedoras”.

A gordofobia sofrida por Nicole a novela toda foi outro problema. Criar um personagem com Z carisma do carisma StandUp Comedy sem, além de ser um símbolo de dublagem sem sabredublar, Licia uma atmosfera em que o peso de Nicole era um resultado de sua felicidade e um de seu fracasso quando, na verdade, combater a gordofobia numa dramaturgia é tirar o gordo dessas lugares. Licia não só relacionou alguém com fracasso em todas as cenas, como que Nicole só fosse capaz de conquistar outro gordo, descrito na trama como igualmente triste e infeliz, como ela.

E não ficou por aí apenas… Ravi, que tinha algum tipo de condição nunca muito clara na trama, era um personagem santificado, com níveis de inocência e ingenuidade que beiravam o ridículo. Tratar pessoas com autismo ou down como se elas fossem “anjos” é amadorismo nos dias de hoje. Séries Atípicas já como autistas como pessoas complexas, capazes de mostrar como todos nós. Em Glee, um personagem com síndrome de down era uma das vilãs. Quando Licia faz o movimento de unir Ravi e Lara, a sensação de relação incestuosa vem desse protecionismo divino, maternal, com que ela semper tratou o rapaz.

Temos aí no meio disso tudo a boa condução da trajetória de Santiago e Érica. E embora suas tramas não fossem boas, foi bom ver Marieta Severo e Regina Braga na TV. Andrea Beltrão realmente mostrou como faz falta nas novelas e Andrea Horta, mesmo personagem numa personagem generosamente cristalizada, refém de uma trama central capenga, soube dar a Lara uma simpatia. proposta, Cauã Reymond foi quem mais teve problemas para tornar Cristian minimamente interessante. Grande parte disso é culpa do enredo, que privou o público do ajuste do personagem lá no começo e privou de novo, na hora da descoberta. Sem dó, Licia Manzo abriu mão de todos os desdobramentos da teia que criou, sabotando um a um, todos os seus canais de clímax.

É que um lugar que é um lugar claro ao ser feito para ser uma “novela de transição”, foi toda a sua segurança, enquanto eles eram considerados como sendo usados, com acesso por meio de protocolos de segurança. Mas, seus maiores problemas não ficaram disso. Todos os seus erros e equívocos os grandes foram realizados pelo texto, esse tão tão conhecido dos fãs da autora; porque Cristian com Stephanie, gordofobia, looping de isso cenas iguais a todos os dias… A Globo errou muito com a forma como tratou a novela, falhando em sua divulgação, reeditando para estimar o número de capítulos… Como uma obra fechada, de pouco mais de 100 capítulos, conseguiu ter uma morosidade maior que títulos com mais de 180 e em estrutura aberta?

“Licia contorno a história que quis contar”… Ouvi muito isso durante esses meses. Era como como a história, sem o visual, ou a fama de texto”, também não está contando a história que tem outros visuais ou outros “bons de texto”. Durante o tempo em que esteve no ar, Um Lugar ao Sol traiu sua própria mensagem, fazendo com que em seu final, fica claro que ter um lugar ao sol não é uma questão de oportunidade, já que Cristian, o protagonista, desperdiçou a sua . Isso é injusto… e até um pouco cretino; sobretudo se consideramos o tempo em que estamos vivendo.

Esse é o legado de Um Lugar ao Sol? Sim, é evidente que nem todos aproveitam as oportunidades. Mas, colocar isso na pele de um protagonista é o mesmo que escoar com nossas esperanças. E isso até porque nossos outros “heróis” também não estavam em uma situação tão boa assim. Lara anos passou esperando Cristian, depois mais esperando Ravi; e terminando como bagagens dos dois. Ravi anos ficou em estado vegetativo… E tudo se resolve como numa luz do sol renovado, numa sequência de três personagens que não tem absolutamente nenhuma razão sensata para continuarem nas uns dos outros.

Não… Um Lugar Ao Sol não é uma novela boa porque tem o texto de Licia Manzo; não é uma novela boa porque tem uma linda fotografia; não é uma novela boa porque faz merchandising social… Ela não é uma novela boa, simplesmente. E é uma pena que depois de tempo tanto sem um título inédito, tenhamos que enfrentar a realidade de que o lugar ao sol que essa novela queria, não era nas 21 horas. Não era, talvez, em lugar nenhum.

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