choques no Nordeste assustam Lula (por Vitor Hugo)

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Vieram de onde menos se esperava – das fileiras do PT em Pernambuco e na Bahia – as primeiras deserções e gritos inconformados na legenda condutora da frente política e eleitoral que se mostrava, até a semana passada, paredão firme, no Nordeste, de sustentação dos governos estaduais na região mais oposicionista ao governo de Jair Bolsonaro. Além de fonte preciosa de votos do ex, Lula, líder nas pesquisas para voltar a mandar no Palácio do Planalto nas eleições de outubro.

Quase do nada, o vice-governador da Bahia e ex-secretário de Planejamento, João Leão (PP), rompeu com o governo Rui Costa, em ato de forte impacto na sucessão estadual e presidencial. Em Pernambuco, a deputada petista Marília Arraes se afasta, divulgando dura nota de princípios, como há muito não se via na viciada e complacente política nacional.

A neta de Miguel Arraes largou esta semana, nas mãos do comando nacional do PT – e no colo de Lula – , pepino difícil de descascar. Isso, somado ao abacaxi da Bahia, embaralha o jogo eleitoral em dois dos mais importantes governos do Nordeste, com estrago federal de monta. E a nave segue na base da disputa “esquerda” x “direita”, enquanto a Terceira Via patina, com esboços de bons propósitos, mas sem conseguir, efetivamente, reuni-los numa proposta unitária, de seus maiorais, que possa torná-la viável nas eleições deste ano.

O ex-juiz da Lava Jato, Sérgio Moro, briga praticamente sozinho contra os pesos pesados (Lula e Bolsonaro). Em visita a Alemanha, iniciada com a ida ao Parlamento, ele cumpre agenda de encontros com políticos e empresários. Daí segue para os Estados Unidos. Mesmo estando fora do país, há sinais de que Moro cresce e ganha músculos no Ceará, provável futuro foco de problemas na região nordestina, sobretudo para Lula e Ciro Gomes (PDT).

De volta ao começo: Marília Arraes criou um dos fatos políticos mais relevantes da semana. Não só pela ameaça de rompimento com o PT, mas também por jogar luz sobre questões de princípios, como seu avô gostava de fazer. Domingo, 23, ao colocar o pé fora do PT, ela negou ter fechado acordo para concorrer à vaga ao Senado. Desmentiu a direção de seu partido.. “A posição do PT de Pernambuco, indicando o meu nome ao Senado pela Frente Popular revela, no mínimo, descuido com o tratamento de assunto tão sério e uma precipitação sem limites. Não fui consulta da e não autorizei que envolvessem o meu nome em qualquer negociação, menos ainda que tornassem público, como se fossem os senhores do meu destino”.

Lembrou ter sofrido rasteiras em 2018 e em 2020 da cúpula do partido “que fez de tudo para inviabilizar politicamente a minha campanha, o que ajudou a dar a vitória ao adversário. E agora, indelicadamente, usam o meu nome, como massa de manobra. Tudo isso não é compatível com o bom senso que deve nos nortear na política”, pontuou. Marília revelou ainda que já está “conversando com as lideranças políticas de Pernambuco e prometeu “novidades para breve”. Mais explícito só o vice da Bahia, João Leão (PP). Que, logo após romper aliança, de mais de 14 anos com os governos petistas de Rui Costa e Jaques Wagner, aliou-se a ACM Neto (UB), e vaticinou em entrevista à Tribuna da Bahia: “Eu vejo que eles erraram tanto, que eles (Rui e Wagner) vão perder a eleição no primeiro turno”. Pesquisas recentes confirmam essa tendência. O resto a conferir.

 

Vitor Hugo Soares é jornalista, editor do site blog Bahia em Pauta. E-mail: [email protected]

 

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