‘Era Cury base do governo. Arthur se indispôs com Deus e o mundo’, diz Isa Penna, que aposta em cassação – Money Times

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Isa Penna (PSOL-SP)
A deputada estadual protocolou o primeiro pedido de cassação do mandatório de Arthur do Val ainda na sexta-feira (5) (Alesp/Reprodução)

Em menos de uma semana, Arthur do Val, conhecido como “Mamãe Falei”, voltou da Ucrâniaperdeu a namorada, pediu a sua desfiliação do Podemos após o início do seu processo de expulsão e agora passar a enfrentar uma nova cruzada pela frente, esta na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), onde bate ponto como deputado: uma possível cassação do seu mandatório, devido à forma misógina com que se referiu às mulheres ucranianashoje refugiadas de guerra, em áudios enviados a amigos e divulgados pela imprensa

Para quem posou ao lado de engradados com certamente coquetéis molotov que enfrentaria a ajuda do fabricante na Ucrânia, com o objetivo de auxiliar a população local a invasão russa, será contra seus colegas de Alesp que Do Val travará sua vida de vida ou morte.

E o comandante das tropas em seu encalço é ninguém menos que Isa Penna (PSOL), cuja obrigatoriedade de tratamento de gênero como pauta principal.

Em conversa com o Tempos de dinheiroa deputada, conta que foi procurado por “Mamãe Falei” já na noite da sexta-feira (04), quando suas declarações misóginas contra as ucranianas foram publicadas pelo site Metrópoles.

“Ele me ligou justamente para sentir, [eu que sou] a deputada feminista da Alesp. Ele estava na Ucrânia, ainda indo pegar o voo, e me justo para me sondar, sobre o quão absurdo eu pensei [o conteúdo dos áudios]”.

Foi neste momento, segundo a deputada, que ela já avisou Do Val que entraria com o pedido de cassação. Ainda na noite de sexta-feira, ela publicou em suas redes sociais que já havia iniciado o movimento para cassar o mandatório do influenciador digital.

Isa Penna vence a primeira batalha contra Do Val

Isa Penna já conquistou uma vitória expressiva, ao conseguir que a Alesp unificasse os 21 pedidos de cassação do mandante, por quebra de decoro, que se seguiram à revelação do episódio, transformando-os em um só.

Foi aprovado a um grupo de advogadas feministas (Maíra de casoa, Gabriel Araújo e Priscil Recchia Reacchia Apósâmela Santos), a quem vai estudar a seguir com direito em internacional, o acompanhar. As advogada na Alesp uma sustentação oral do caso.

“Agora a gente vai ter um outro momento, do processo mais político. Daqui para o deputado vai ter que ser ouvido, vai ter o seu direito de defesa e teremos a produção do relatório com um parecer. Este parecer pode ou não já indicar uma cassação, que vai para o plenário para ser aprovado com sim ou não”, diz Isa Penna.

Entregar o destino de Do Val a uma instituição política majoritariamente masculina pode parecer uma guerra perdida.

A própria vítima já sentiu o peso do machismo, ao ser vítima de importação sexual em uma das frentes e também ver seu agressor, o deputado Fernando Cury, apalpou em direção da Casa e vários pares, se livrar de trocadilhos maisss.

Ela acredita que Do Val não terá a mesma complacência dos demais deputados. “Ele [Do Val] Já se indispôs com Deus e o mundo. Ao se indispor com todo o mundo, é aquela coisa, as pessoas ficam esperando um motivo. Ele deu todos os motivos do mundo para irem para cima dele. Então agora ele vai ter que arcar com as consequências”, afirma.

Do Val desagradou gregos e troianos

Arthur do Val, o Mamãe Falei
O deputado Arthur do Val pediu a desfiliação do seu partido, o Podemos, após o início do processo de expulsão (Imagem: Facebook/ Arthur do Val)

É por isso que a deputada não se surpreende com a debandada de aliados de “Mamãe Falei”. Com exceção de membros do Movimento Brasil Livre (MBL)o deputado Arthur do Val foi duramente criticado por colegas, correligionários e hoje ex-aliados, como foi o caso pré-candidato à diversos presidente da República, Sérgio Moro.

O repúdio às falas do parlamentar conseguiu unificar o discurso da esquerda e da direita. Isso se traduziu, inclusive, nos pedidos de cassação do mandante, endossados ​​por deputados dos mais diferentes partidos.

A primeira representação, protocolada por Isa Penna, teve o apoio de Douglas Garcia (Republicanos), José Américo (PT), Tentente Coimbra (PSL), Coronel Telhada (PSDB), Coronel Nishikawa (PSDB), Leci Brandão (PCdoB), Mônica Seixas (PSOL) e Thiago Auricchio (PSDB).

Fernando Cury não é Arthur do Val

Caso Isa Penna e Fernando Cury
O deputado Fernando Cury apalpou o seio de Isa Penna durante sessão na Alesp em 2020 (Rede Alesp/YouTube/Reprodução)

Há pouco mais de um ano, no dia 17 de dezembro de 2020, outro caso de violência contra a mulher cometida por um parlamentar também ganhou notoriedade.

A vítima, no caso, era a própria deputada Isa Penna. Durante uma sessão na Alesp, o deputado estadual Fernando Cury se agradecido por trás e apal o seu seio. Ele, no entanto, disse que se sabe de “um abraço”.

Cury virou réu, em dezembro do ano passado, por importunação sexual. Um mês antes, foi oficializada a sua expulsão do Cidadaniaseu então partido.

“O Diretório do Cidadania de São Paulo decidiu nesta segunda-feira (22), por 27 votos a 3, expulsar do partido o deputado estadual Fernando Cury, flagrado pelas câmeras da Assembleia Legislativa apalpando em plenário a colega Isa Penna, do PSOL”, disse o partido em nota.

A expulsão, no entanto, não cassa o mandatário do parlamentar, que segue o deputado estadual até o final da legislatura.

O caso tem sido utilizado como argumento por parte de Arthur do Val. Isa Penna pondera, no entanto, que esse tipo de comparação é injusta com ela.

“A agressão física, no nosso código penal, é mais grave do que a agressão verbal. Agora isso é injusto comigo, não com ele [do Val]. Caso ele seja cassado, é mais um elemento para provar que o Fernando Cury deveria ter sido cassado. De alguma forma, a nossa luta é por todas as mulheres. Se a cassação do Arthur se confirmar, isso vai prevalecer”, disse a deputada ao Tempos de dinheiro.

Análise do caso do “Mamãe Falei”

O deputado Arthur do Val falou com jornalistas assim que chegou da viagem no sábado (5) (Reprodução do vídeo de Fábio Vieira/Metrópoles)

Navido ao site Metrópole que sextas-resistências (com o site Metrópoles sextas-resistência) (com os áudios em exclusivo para o leste europeu sob a justificativa de “auxiliar) contra a Rússiafalou para um grupo de amigos sobre as mulheres ucranianas, hoje refugiadas de guerra, de forma misógina.

O parlamentar chegou a dizer que elas eram “fáceis” porque “são pobres”. “E, assim, é inacreditável a facilidade. Essas ‘minas’ em São Paulo se você dá bom dia elas iam cuspir na tua cara. E aqui elas são supersimpáticas, super gente boa. É inacreditável.”

“Acabei de cruzar a fronteira a pé aqui da Ucrânia com a Eslováquia. Maluco, eu juro… eu, nunca, na minha vida… ó, eu tenho 35 anos. Eu nunca na minha vida, nunca, vi nada parecido assim em termos de ‘mina’ bonita. Assim, a fila das refugiadas, irmão, assim… imagina uma fila, sei lá, nem sei… tô sem palavras”.

“Uma fila de 200 metros ou mais. Só deusa, assim, só deusa. É sem noção, é inacreditável. É um bagulho assim fora de série. Se pegar a fila da melhor balada do Brasil, a melhor, na melhor época do ano não chega aos pés da fila dos aqui. Maluco, eu ‘tô’ mal, eu ‘tô’ triste, porque é inacreditável”, diz em outra mensagem.

Ele se manifestou, pedindo desculpas pelas falas, assim que chegou no aeroporto de Guarulhos, no sábado (5). O deputado, que era pré-candidato ao governo do Estado de São Paulo, viagem em viagem” que teria feito a busca de “turismo sexual”.

“Uma coisa é o Arthur que foi lá [Ucrânia] fazer a missão que fez e saiu. A outra coisa é o que já tinha dito Arthur e mandou um áudio num grupo privado com amigos dele de forma errada, descabida, não foi a melhor das posturas, é nítido aquilo. Mas é um áudio privado”.

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