Militares entendem de guerra, mas não de política e paz

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O que vale? A palavra do Ministério das Relações Exteriores do Brasil que condenou a invasão russa à Ucrânia? Ou a palavra do ex-capitão Jair Bolsonaro de que o Brasil não está nem de um lado nem do outro na primeira guerra europeia desde 1945?

Nesse caso, a condenação é o inverso de neutralidade. Não se pode ser duas coisas ao mesmo tempo. A levar-se em conta o que foi dito à ONU pelo embaixador Ronaldo Costa Filho, o Brasil é contra a iniciativa da Rússia de violar a soberania da Ucrânia.

Quanto ao que diz Bolsonaro, que ele vá curtir o desgaste internacional de ter dado ouvido aos militares que o cercam, e não aos políticos e diplomatas experientes. É elementar que as pessoas tenham horror a guerras quando se imaginam no meio de uma.

A Segunda Guerra Mundial foi a última onde claramente havia o lado do bem e o lado do mal, mocinhos contra bandidos, embora muitas vezes os mocinhos agissem também como bandidos. O bombardeio de algumas cidades alemãs foi ato de bandidos.

A decisão de fazer uma guerra é um ato governamental. Para tanto, os políticos consultam os militares, mas nem sempre seguem suas recomendações. Se tivesse dependido apenas dos militares americanos, eles teriam bombardeado Cuba em 1962.

Havia uma base de mísseis soviéticos em construção na ilha. Por 13 dias, o mundo viveu sob a ameaça de um conflito nuclear entre a União Soviética e os Estados Unidos. Negociações diplomáticas acabaram afastando o risco de uma terceira guerra mundial.

Os militares que aconselharam Bolsonaro a tomar partido de Vladimir Putin não queriam ir à luta contra os ucranianos, mas defender os interesses econômicos do Brasil que dependem de certos produtos russos, especialmente fertilizantes.

Havia outras maneiras de fazer isso. E ficar na contramão do resto do mundo não seria a melhor. Bolsonaro, que nunca esteve pronto para governar e que como seus ex-colegas de farda não se formou para governar, embarcou na deles e caiu numa arapuca.

Na praia do Guarujá, em São Paulo, endereço preferencial dos seus descansos, enquanto o mundo atravessa dias parecidos com os da crise dos mísseis de 1962, ele agora escuta gritos de “genocida” em meio ao coro de “mito” que antes era unânime naquele pedaço.

Bem feito. Seu dia D está próximo.



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