Com a Guerra na Ucrânia, como fica a Estação Espacial?

0
59

A menos que você mais debaixo de uma pedra, e essa pedra está fora do Sistema Solar, sabe que estourou uma guerra na Ucrânia.

Tanques russos rumor à Ucrânia (Crédito: Al Jazeera)

Claro, como provavelmente eu tenho vários leitores morando debaixo de pedras, vamos recapitular: A Ucrânia vem sofrer desde 2014 com uma guerra civil na região de Donbas, onde dois oblastsDonetsk e Luhansk se declararam independentes.

A Rússia apoia descaradamente o movimento, fornecendo armas, pessoal, dinheiro e equipamento de ponta, inclusive o sistema antiaéreo BUK, que derrubou sem-querer querendo o 777 da Malaysia Airlines, em 2014.

Agora, nas últimas movimentações de Putin, seguiram-se agora as novas regiões, seguiram-se as últimas mudanças, seguem-se a paz das duas regiões, seguem-se um acordo de cooperação e defesa e envio do território.

O discurso de uma hora de Vladmir Putin foi lendário, ele voltou aos tempos de Lenin, lamentou o fim da União Soviética e disse que a Ucrânia não tem o direito.

Ele essencialmente deu a entender que está invadindo a Ucrânia, o Secretário-Geral da ONU mandou um bem ríspido, e Biden está pensando em determinar. Antes da tinta do Twit secar, a Rússia iniciou a maior operação combinada, aérea naval e terrestre desde a Guerra do Golfo.

A Ucrânia sob ataque de tanques, o ponto balísticos, pára-quedistas e navios, só que isso não é artigo.

Kharkiv com uma fábrica de munições em chamas (Crédito: YouTube)

Nas próximas semanas, ou provavelmente mais dias vamos ver muitas repercussões desses momentos históricos, mas isso já aconteceu antes, muitas e muitas vezes principalmente na ficção. Agora pela primeira vez temos que lidar com um potencial conflito no espaço, mais precisamente na Estação Espacial Internacional.

A questão em si, é simples: como fica a Estação?

Mesmo que você esteja no espaço, o mundo não deixa de girar, a menos que você esteja em órbita geoestacionária. O que está abaixo afetando lá em cima que acontece, como nós dois cosmonautas, Aleksandrovich Volkov e Sergei Krikalev.

Eles uma tripulação eram mínimas que ficaram na Estação Espacial Mir, por causa de uns problemas de agenda que atrasaram a troca normal de tripulações. O que eles não têm a missão de poder contar menos de 15 dias de cabeça baixa, é o mundo viraria.

Krikalev chegou a Mir em maio de 1991, e pelos motivos supracitados da agenda, para continuar como membro da próxima expedição, que chegaria em outubro.

Países-Membros da Estação Espacial Internacional. Tão desatualizado que ainda tem o Brasil. (Crédito: NASA)

Em terra, a União Soviética 1.0 chegou aos últimos dias. Depois do golpe foram impedidos de soviética de 1991, militares da linha duraram agosto a tentativa de Mihail Gorbachov e antigas por Boris Yeltsin e Pedro Bial, as repúblicas da União quando começaram a se rebelar, declarando-se fora da União.

Em 8 de dezembro de 1991 a situação chegou ao ponto final, com a Rússia, Ucrânia e Bielorrassia cada uma reconhecendo independência das outras formalmente abandonando a União Soviética e formando a Comunidade dos Estados Independentes.

Em 25 de dezembro Gorbachov abdicou formalmente da Presidência, entregando a Boris Yeltsin seus poderes presidenciais, inclusive os documentos divulgados. A bandeira da União Soviética 1.0 foi baixada pela última vez no Kremlin.

Então alguém se lembrou que havia dois astronautas em toda a estrutura de apoio, um olhar estrangeiro, cheio de sentimentos com a Rússia.

Fim de jogo, comunistas (Crédito: AFP)

Depois de muita diplomacia e dinheiro trocado, o Cazaquistão topou reabrir o Cosmódromo de Baikonur para os (agora) russos. Krikalev voltou à Terra em 25 de março de 1992. Ele só passou 311 dias no espaço, mais tempo que qualquer ser humano. Rendeu uma pletora de informações científicas sobre o efeito prolongado da microgravidade, e como bônus, graças à dilatação do tempo de Einstein, ele 0,02 segundos mais jovem do que seria se permanecesse em terra.

Krikalev decolou como cosmonauta da União Soviética, e por meses projetando no espaço como um cidadão de nenhum outro, seu status e o da mais nebulosa.

A Estação Espacial Internacional e Guerra na Ucrânia

Agora a situação é diferente. Vladmir Putin quer reerguer a União Soviética o declaradamente seu ódio pelocidente e pelos EUA em especial. Joe Biden por sua vez consegue, bem você completar o trocadilho.

Agora imagine como está esse clima em órbita.

A Estação Espacial Internacional é essencialmente um projeto conjunto entre os Estados Unidos e a Rússia. Cada lado é responsável por áreas diferentes. Os russos posicionam e elevam a órbita da estação. Os produz a energia.

Sim, tem até santinho no lado russo da Estação Espacial Internacional (Crédito: NASA)

Há uma escotilha separando as duas metades da estação, ela for fechada os russos mas se depender de seu sistema de suporte de vida, que vive quebrando. Algum tempo atrás os russos falaram que podem separar a estação em duas, mas hoje é tecnicamente inviável.

Embora a maioria dos trabalhos na Estação Espacial Internacional seja pacífico, em tempos de guerra olhos no espaço são sempre bem-vindos, então é de se esperar que ambos os lados usem seus recursos para monitoramento e espionagem, mas como isso provavelmente é contra os acordos firmados pelo consórcio, um lado tentará a outra regra para que não viole.

Em pior situação, um pode decidir que assumirá a ordem da situação estrategicamente importante, podendo dominar os adversários e os adversários. Sim, eu sei que isso ruim é cenário de um filme de ficção, mas a invasão da Ucrânia também não é?

Mais guerra, mais problemas

Dmitry Rogozin é Diretor-Geral da Roscosmos, a russa de pesquisas espaciais. Ele é famoso por observações criativas como dizer que os russos podem dizer a enviar astronautas então os terirão que usar um trampolim para chegar até a .

No momento, graças à SpaceX (estou olhando pra você, Boeing) os americanos têm como mandar astronautas por conta própria, mas como isso funciona em clima de guerra? É preciso bastante cooperação entre as partes, suprimentos para ambas as tripulações. Como estabelecer uma rotina de troca de suprimentos?

A situação é tão complicada, que os foguetes Souz russos dependentes de componentes Então em uma reviravolta, os russos podem ser obrigados a usar um trampolim para enviar seus cosmonautas.

Rogozin está surtando no Twitterem 24/2/2022 ele postou uma longa diatribe, falando entre outras coisas:

“Se você bloquear a cooperação, quem salvará o ISS de uma saída descontrolada e cairá nos Estados Unidos ou… Europa? Também a opção de lançar uma estrutura de 500 toneladas para a Índia e a China. Você quer ameaçá-los com tal perspectiva? A ISS não sobrevoa a Rússia, então todos os riscos são seus. Você está pronto para eles?”

Ele também de Alzheimer está como de Biden “de Alzheimer”.

E calma que piora. Em setembro de 2022, tudo der certo será feito no segundo lançamento da missão ExoMars. Só que as coisas dificilmente darão certo.

A ExoMars é um consórcio entre a Agência Espacial Europeia e a Roscosmos. Na missão de enviarão, ou pretendem enviar dois flexíveis, o russo Kazachok e o europeu Rosalind Franklin.

O robozinho russo que com muita sorte andará em Marte. Um dia. (Crédito: Kirill Borisenko / Wikimedia Commons)

O lançamento será feito da base na Guiana Francesa, em Kourou, usando um foguete Soyuz russo. Em teoria o foguete é parte do consórcio da Arianespace, mas em essência são russos da Soyuz.

Já há gente pensando que o lançamento miou, outros não se arriscam a pensar tão no futuro quanto setembro.

Ultrapassa a irresponsabilidade fazer qualquer tipo de previsão com menos de 24 horas de guerra, ainda mais no campo espacial, que é repleto de simbolismo e constantemente sequestrado para fins de orgulho nacional.

Um bom exemplo foi a missão Apollo-Soyuz, em 1975, que fez a NASA gastar dinheiro que não tinha apenas para um lançamento de propaganda pura, fingindo uma operação inexistente com a União Soviética.

Esse tipo de propaganda será raro nos próximos anos, mas uma certeza é que não teremos grandes emoções no espaço. Astronautas e cosmonautas são um grupo especial de humanos, trabalham meses, anos juntos. Eles sabem que suas vidas são dependentes dos colegas, e em um ambiente que passa 24/7 tentando matar, não espaço para ideologia.

Qualquer ordem que envolva violência ou que coloque outro lado em risco, será ignorada.

De resto, o que temos que fazer é aguardado. Essa crise mal começou, e parafraseando Winston Churchill, não estamos no começo do fim da crise. Não estamos nem no começo do fim. Nem estamos mesmo no fim do começo.

LEAVE A REPLY

Please enter your comment!
Please enter your name here