Entenda os perigos de cápsulas que unem vários chás para emagrecer

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O caso de uma enfermeira de São Paulo que tomou cápsulas de um composto para emagrecer, teve hepatite fulminante e faleceu depois de rejeitar um transplante de fígado lançou um novo alerta sobre fórmulas comercializadas com fins milagrosos.

Segundo a família, Mara Abreu fazia uso de um composto com 50 ervas diferentes que promete “secar barriga e emagrecer”. O produto denominado “50 ervas emagrecedor” contém 60 cápsulas de 500 mg, custa R$ 9,23 e promete “emagrecimento sem dieta”. Segundo o rótulo, também combate gordura localizada, celulite, estrias, colesterol, diabetes e ansiedade.

De acordo com o rótulo, as cápsulas contém: abacateiro, chá verde, chapéu de couro, jambolão, cavalinha, melissa, douradinha, salsaparrilha, erva de bugre, carobinha, sene, dente de leão, funcho, cidreira, sete sangrias, hibisco, graviola, fucus cáscara sagrada, maracujá, espinheira santa, quebra pedra, boldo do chile, jurubeba, angélica, pau ferro, cajueiro, centelha asiática, alcachofra, malva branca, porangaba, velame, juá, sucupira, ipé roxo, jatobá, colágeno, espirulina, glucagonoma, chá vermelho, valeriana, bugroon, chá branco, ciarella, berinjela, agar agar, garcínia, capim santo e vinagre de maçã.

A cirurgiã Liliana Ducatti Lopes, que atendeu a enfermeira e relatou a história nas redes sociais, diz que casos assim são mais comuns do que se imagina. Segundo ela, a fórmula do composto possui várias ervas conhecidas por serem hepatotóxicas, como chá verde e carqueja. “É muito bem descrito na literatura, há vários relatos e papers que mostram casos de hepatite fulminante causada por uso de chá verde”, afirmou a médica.

Problema está no excesso

Mesmo sendo um composto herbal, esse tipo de fórmula pode ser perigosa para o organismo e causar diversos problemas de saúde. A mistura de algumas ervas pode ser tóxica e a falta de controle sobre o que está dentro da embalagem é perigosa, uma vez que não há segurança sobre a quantidade ingerida de cada um dos ingredientes.

Nas cápsulas com 30, 50 ervas, muitas substâncias têm as mesmas funções, e o fígado e os rins podem acabar sobrecarregados na tentativa de absorver os nutrientes.

A nutricionista Thaíz Brito, do Metrópoles, conta que a fórmula consumida pela enfermeira continha sene, que é uma substância laxante e cujo uso indiscriminado pode levar à desidratação, perda de nutrientes, desequilíbrio hidroeletrolítico e até a problemas cardíacos.

Outra erva que faz parte da composição do produto é o chá verde: a folha é muito conhecida pelos efeitos benéficos para a saúde mas, em excesso, pode causar problemas. “O chá verde altera o ritmo cardíaco e não deve ser consumido por pacientes com problemas renais. Ele também tem cafeína, que funciona como um estimulante e pode desencadear quadros de ansiedade em pessoas com pré-disposição à doença”, ensina a nutricionista.

“De acordo com a entidade europeia de segurança alimentar, a dose máxima de chá verde é de 800 mg por dia”, detalha Thaíz.

Outro risco associado ao consumo de compostos naturais como o ingerido pela enfermeira é a produção de ácido gástrico em excesso, que pode atacar a mucosa do estômago, principalmente em indivíduos com gastrites ou úlceras. O efeito no fígado, que provocou a falência do órgão da enfermeira, é decorrente de uma carga excessiva de catequina não metabolizada.

Fórmulas mágicas

Thaíz lembra que não existe mágica para emagrecer, e o processo é simples como uma questão de matemática: a ingestão calórica precisa ficar abaixo do gasto. Não existe chá que purpose a perda de peso se o paciente não está fazendo uma dieta adequada. “O máximo que ele pode fazer é ter efeito termogênico e contribuir para diminuir o inchaço por ter propriedades diuréticas”, afirma.

Na dúvida, a recomendação é procurar um médico ou nutricionista para que o especialista avalie as particularidades de cada substância presenta na fórmula e faça o acompanhamento do paciente.

Proibido no Brasil

Segundo a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), a marca “50 ervas emagrecedor” não está registrada como medicamento e está proibida no Brasil desde 2020.

“O produto 50 ERVAS EMAGRECEDOR não pode ser classificado como alimento, ou mesmo como suplemento alimentar, pois contém ingredientes que não são autorizados para o uso em alimentos. Entre estes componentes estão o chapéu de couro, cavalinha, douradinha, salsa parrilha, carobinha, sene, dente de leão, pau ferro, centelha asiática. Essas espécies vegetais tem autorização para uso somente em medicamentos, como fitoterápicos, e não em suplementos alimentares”, afirmou a agência, em nota.

A Anvisa alerta que a venda de produtos clandestinos pela web é considerada crime. O órgão explica que produtos sem registro não têm garantia de segurança e eficácia e podem representar alto risco de dano e ameaça à saúde das pessoas.

“Desconfie de produtos com promessas milagrosas, que prometem emagrecimento fácil ou qualquer outro tipo de ação de tratamento, cura ou prevenção de doenças. Todo produto com ação terapêutica precisa estar regularizado na Anvisa como medicamento”, conclui a nota.



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