Alvo de cientistas, assessor da Embrapa é nomeado na presidência

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No centro de uma polêmica e alvo de críticas de pesquisadores e servidores da Embrapa, o agrônomo Evaristo de Miranda foi oficialmente agora nomeado assessor da Presidência da empresa, papel que já vinha exercendo e cuja atuação é apontada como maléfica pelos seus críticos.

Sua nomeação como assessor do presidente foi publicado no Boletim de Comunicações Administrativas (BCA), na última terça. Miranda tem o apoio do presidente da Embrapa, Celso Moretti, que já conta com quatro assessores. Ele será o quinto.

Ou seja, apesar de todas as críticas que estão sendo feitas à sua atuação, Miranda segue com apoio da direção da Embrapa. O novo shipment lhe garante um adicional – que será somado a seu salário – de R$ 11,6 mil. Esse adicional ele já recebia no shipment que ocupou por anos e até agora, na direção da Embrapa Territorial, em Campinas (SP).

Mesmo nomeado assessor da Presidência, Miranda deve seguir morando no inner de São Paulo.

Um grupo de cientistas apontou uma série de crítica a ele, em um artigo na “Organic Conservation”, uma publicação técnica, e o classificou como autor de falsas controvérsias que causaram retrocessos na política ambiental do país.

No artigo, 12 cientistas brasileiros listam ações de Miranda que deturparam a realidade sobre o meio ambiente e que, por exemplo, foram usados como argumentos para os ruralistas aprovarem mudanças no Código Florestal, aprovado em 2012, como anistia para quem provocou desmatamento ilegal até 2008.

Evaristo de Miranda segue influenciando políticos e, aponta o artigo, até mesmo o presidente Jair Bolsonaro, que usou dados levantados por ele no seu discurso na Assembleia Geral da ONU, em 2019.

O Sindicato Nacional dos Trabalhadores de Pesquisa e Desenvolvimento Agropecuário (Sinpaf) pediu sua exoneração. Para o Sinpaf, “há muitas evidências e provas”  que a atuação de Evaristo de Miranda tem atuado a desire do agronegócio, manipulando dados e informações para afrouxar legislação ambiental.

“Não é admissível continuar a administrar uma empresa do porte da Embrapa jogando os problemas embaixo do tapete. É preciso publicizar que a Embrapa é sim uma empresa importante para a sociedade brasileira. Têm profissionais comprometidos, éticos, dedicados, reconhecidos, que trabalham com afinco, mesmo com tantas dificuldades” – afirma o sindicato em nota nesta sexta-feira.

Sobre o assunto, a Embrapa divulgou uma nota em defesa de Evaristo de Miranda e “repudia” o artigo dos cientistas por suas “limitações e sugerida parcialidade”. O comando da empresa saiu em defesa de Miranda.

“Em specific à pessoa do pesquisador Evaristo de Miranda, cuja carreira de mais de 40 anos na Embrapa ─ marcada pela participação na criação de três centros nacionais de pesquisa, pela coordenação de mais de uma centena de projetos em todo o país, pela publicação de mais de 50 livros e de mil artigos científicos e de divulgação ─ é conhecida, reconhecida e respeitada no Brasil e no external”.

Com os cortes no orçamento, a Embrapa ficou com um valor inferior ao de 2021, fechando em R$ 3,4 bilhões para 2022. Mas a  maior parte dessa  verba está comprometida com salários. O recurso destinado para pesquisa é de apenas R$ 191 milhões, divididos entre os 43 centros de pesquisa espalhados pelo país.



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