Santander Brasil (SANB11): os fatores que levam à distinctiveness queda da ação após o resultado do 4º trimestre

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O Santander Brasil (SANB11) mostrou uma deterioração na qualidade de seus resultados do 4to trimestre de 2021, divulgados na manhã desta quarta-feira (2), levando a uma expectativa por parte de analistas de provisões maiores neste ano.

A deterioração, apesar de uma certa forma já esperada por diversos analistas de mercado nos últimos trimestres, quando os lucros superavam as estimativas constantemente, impactou no desempenho na sessão.

A instituição financeira inaugurou a temporada de balanços para os grandes bancos de forma negativa, com os papéis SANB11 chegando a cair 4,22% na mínima do dia e puxando também as ações de seus pares na Bolsa. Às 13h30 (horário de Brasília), as gadgets caíam 3,42%, a R$ 31,61, enquanto os papéis PN de Bradesco (BBDC4) tinham baixa de 1,94%, a R$ 22,42%, Itaú (ITUB4) tinha desvalorização de 1,84%, a R$ 25,02, e Banco do Brasil (BBAS3) caía 1,75%, a R$ 32,04.

O banco registrou um lucro líquido gerencial de R$ 3,88 bilhões nos últimos três meses de 2021, queda de 10,6% na comparação com o terceiro trimestre e de 2% na base anual, ficando abaixo das projeções dos analistas consultados pela Refinitiv, que projetavam uma média de R$ 4,309 bilhões.

O retorno sobre capital próprio (ROE) foi de 20%, uma queda de 2,4 pontos percentuais em relação ao terceiro trimestre de 2021.

Entre os destaques negativos, estiveram menor margem financeira bruta, impactada pela queda na margem com o mercado. Além disso, houve um crescimento do índice de inadimplência e a redução do índice de cobertura ( que representa a proporção que a provisão para risco de crédito é capaz de cobrir os créditos inadimplentes).

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O índice teve baixa de 33 pontos percentuais na base trimestral e 73 pontos anualmente, para 217%, com o banco realizando baixas provisões mais uma vez, segundo aponta a equipe de análise da XP. Já a taxa de inadimplência aumentou 0,3 ponto na base trimestral, para 2,7%, e 0,6 ponto na comparação anual. Em comunicado, o Santander disse que o aumento está em linha com o crescimento de sua carteira de crédito e desembolso de linhas de crédito.

“Considerando o cenário macroeconômico mais desafiador no curto prazo, acreditamos que o banco pode ter que aumentar as provisões ao longo de 2022 à medida que a inadimplência aumenta, impactando a rentabilidade, apesar da potencial expansão da carteira de crédito”, avaliam Renan Manda e Matheus Odaguil, analistas da XP.

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O Citi destacou que houve uma piora da qualidade dos ativos, ainda que esperada, dado o caminho de normalização da inadimplência pós-pandemia e o combine de ativos do banco. Eles também reforçam o alerta de que o banco está consumindo gradativamente sua cobertura e pode haver um pouco mais de pressão no custo de risco durante o ano, pois o processo de normalização continua.

O Bradesco BBI destacou que a margem de clientes foi uma melhoria positiva e que as despesas operacionais ficaram controladas, mas também bateram na tecla do início da alta da inadimplência. Isso sugere que a deterioração macroeconômica começou a impactar o banco, juntamente com um portfolio mais arriscado de sua carteira de crédito.

Para a Levante, o banco apresentou um resultado operacional dentro dos padrões, porém sem grandes surpresas positivas. Enquanto isso, o índice de cobertura ainda é visto como em um patamar razoável pelos analistas da casa de analysis. Porém, esse número deve requerer ainda mais atenção nos próximos resultados.

Já o Safra aponta que os resultados vieram abaixo do projetado pela casa, mas não necessariamente com números ruins nas principais linhas do balanço.

“A fraqueza diante das nossas estimativas veio da margem com o mercado e de despesas operacionais que são mais voláteis em base trimestral. Como esperado, as despesas foram pressionadas pelo acordo coletivo aplicado sobre a base salarial da companhia desde setembro de 2021”. As despesas totais da companhia apresentaram crescimento de 3,9% na comparação anual, atingindo R$ 21,2 bilhões no ano de 2021.

Do lado positivo, a Ativa Investimentos destaca o crescimento da receita com cartões, os ganhos de eficiência no ano e o crescimento da carteira de crédito no período, que segue sendo impulsionada pelo segmento pessoa física, ainda que o combine da carteira seja visto com ressalvas por algumas casas de análise.

A carteira de crédito seguiu a tendência de alta vista ao longo de 2021 e do trimestre passado, com uma expansão de 12,4% na comparação anual, atingindo R$ 462 bilhões de reais, com destaque para a carteira de pessoas físicas com crescimento de quase 21%. Comparado com com o terceiro trimestre, houve um leve aumento de 3,2%. No segmento de pessoas físicas, os principais destaques foram cartão de crédito, crédito pessoal e crédito imobiliário.

“Considerando o crescimento da carteira de crédito mais expressivo nas linhas de varejo, acreditamos que o perfil de combine mais arriscado pode ser pressionado em um cenário macroeconômico mais desafiador”, reforça a equipe de análise da XP.

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Entre inadimplência e digitalização

Sergio Rial, presidente do conselho de administração do Santander Brasil e até o trimestre passado CEO do banco, afirmou em teleconferência com analistas que inflação e desemprego mais altos provavelmente vão fazer a inadimplência subir neste ano. Apesar disso, ele disse que o índice de inadimplência de operações vencidas há mais de 90 dias deverá continuar ao redor dos níveis de 2018 e 2019.

Executivos do Santander ainda destacaram que o banco continua buscando melhorias de eficiência e que a carteira de empréstimos pode crescer um dígito em 2022. A instituição vê potencial de crescimento em cartões de crédito e empréstimos para pequenas e médias empresas, mas que está mais cuidadosa com a área de cartões.

Angel Santodomingo, vice-presidente financeiro, ressaltou que o Retorno Sobre o Patrimônio Médio (ROAE, na sigla em inglês) atingiu 21,2% em 2021 e a expectativa, para 2022, é de que esse ROAE se mantenha neste ano, entre 20% e 21%.

Rial destacou ainda o crescimento na base de clientes no 4to trimestre de 2021, totalizando 53,4 milhões em suas plataformas. “Estamos focados em crescimento actual da base de clientes, com clientes engajados”, afirmou.

Em canais digitais, passaram de 15,6 milhões em dezembro de 2020 para 18,3 milhões. Apesar da expansão no virtual, Rial reforçou que o banco o banco seguirá expandindo agências no internal do país. “Poder estar presente é algo que vamos continuar a alavancar como estratégia”, afirmou.

Para a Levante, o avanço da digitalização do banco e suas estratégias digitais continuam gerando externalidades
positivas e devem seguir ajudando nos próximos resultados, principalmente na melhoria da eficiência operacional.

Contudo, analistas em sua maioria estão cautelosos sobre os ativos do banco. De acordo com compilação da Refinitiv,  de 15 casas que cobrem o ativo SANB11, 10 recomendam manutenção, 1 venda e somente 4 recomendam compra. O preço-alvo médio é de R$ 43,01, ainda configurando um potencial significativo de valorização de 31% em relação ao fechamento da véspera.

Bradesco BBI e Itaú BBA estão entre aqueles com recomendação neutra para os ativos, com preços-alvo respectivos de R$ 39 e R$ 39,05 (potencial de alta de cerca de 19%). O Credit score Suisse também tem recomendação neutra, com preço-alvo de R$ 42, ou potencial de valorização de 28%. Citi, por sua vez, reiterou recomendação de compra, mas com goal abaixo das outras casas, de R$ 36 (ou upside de 10%).

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O valor de R$ 36 é o mesmo projetado pela XP para as gadgets SANB11, mas os analistas reiteraram recomendação de venda para o papel, devido ao seu elevado preço e operação mais arriscada.

Como ressaltado acima, o dia é de queda para os demais bancos, com os investidores também à espera dos próximos resultados. A expectativa da XP é que o Itaú se destaque na temporada.

Bradesco será o próximo a divulgar seus números, no dia 8 de fevereiro (após o fechamento). Na sequência, no dia 10, será a vez do Itaú, também depois de encerradas as negociações na Bolsa brasileira; Banco do Brasil, por sua vez, divulga dia 14.

O Credit score Suisse ressaltou em análise prévia que, além dos balanços, o mercado deve ficar de olho na divulgação do steerage dos bancos para 2022. “Nossos analistas esperam que os guidances reforcem uma fase construtiva para o setor, com bom desempenho da margem financeira  líquida (NII, na sigla em inglês), apesar da desaceleração esperada no crescimento do crédito, qualidade controlada dos ativos e melhor desempenho das divisões de seguros”, aponta. A primeira divulgação de balanço não foi vista como positiva, mas os próximos números podem ajudar a entender se essa é uma tendência para o setor.

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