Copom diminui previsibilidade e pode ter se precipitado ao sinalizar redução no ritmo da alta de juros

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O mercado não ficou nem um pouco surpreso com a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central em aumentar os juros básicos da economia (Selic), em 1,5 ponto-percentual. Os investidores já estavam preparados para uma taxa de dois dígitos, mas nem todos esperavam que o BC sinalizasse para o começo de uma desaceleração no ciclo de aperto monetário já a partir da próxima reunião do Comitê, nos dias 15 e 16 de março.

“Em relação aos seus próximos passos, o Comitê antevê como mais adequada, neste momento, a redução do ritmo de ajuste da taxa básica de juros”, diz o trecho do comunicado do Copom, que mais chamou a atenção dos analistas.

De maneira geral, os analistas acreditam que a mensagem aponta para um aumento nos juros menor do que 1,5 ponto-percentual na próxima reunião. Nada muito certo, já que, ao contrário das últimas reuniões, o Copom deixou o mercado sem previsibilidade a respeito dos seus próximos passos.

“O Copom deixou de sinalizar que o ajuste da próxima reunião vai ocorrer na mesma magnitude [das últimas reuniões], como vinha fazendo nos meses anteriores”, observa Maria Cândido, sócia da HCI Make investments.

Atitude precipitada?

Alguns especialistas questionam se este é o momento certo para o Copom acenar com a possibilidade de redução no ritmo de alta dos juros. Gustavo Cruz, estrategista da RB Investimentos, acredita que a autoridade monetária pode ter se precipitado ao comunicar essa sinalização já na reunião de fevereiro.

“Entendo que pode ser um pouco traiçoeiro deixar essa definição. Você tem uma evolução da inflação ainda em ritmo bem alto, sem sinais de que está cedendo nesse primeiro trimestre do ano e o mercado precifica pontas da curva de juros em patamares mais altos por conta da inflação persistente”, afirma Cruz.

O estrategista também destacou outros trechos da comunicação do BC, como o cenário menos favorável por conta da alta de juros nos Estados Unidos e o avanço da Covid-19, postergando a normalização das cadeias globais de produção. São questões que fogem da alçada do BC e, ao contrário do ano passado, a autoridade monetária reconhece que vai ser muito mais difícil cortar juros este ano.

“Entendo que isso é uma mensagem para uma boa parte do mercado que fala que o ciclo [de alta de juros] se encerra agora no primeiro semestre, mas que o ano pode acabar com uma taxa de juros menor. Acredito que esse trecho do comunicado diz o contrário, existe risco sim de que o external pressione para que o Banco Central deixa os juros em patamar mais altos por mais pace”, disse Cruz.

Copom ganha pace

Já Fernando Repair, economista-chefe da Hieron Investimentos, acredita que, mesmo desacelerando o ritmo de alta de juros na próxima reunião, o Banco Central segue comprometido com as metas de inflação.

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“O BC ganha pace para poder permanecer no ciclo de aperto monetário, comprometido com a ancoragem da inflação em relação à trajetória de metas, mas sem correr o risco de fazer um aperto exagerado” diz Repair.

Para ele, o mais provável é que a Selic alcance um patamar próximo a 12,25% em maio e, a partir daí, o economista vê espaço para uma pausa nos ajustes. Se as projeções para a inflação de 2023 se aproximarem da trajetória de metas, segundo Repair, haveria até mesmo a possibilidade de um corte nos juros ao ultimate deste ano.

Importante salientar que, apesar de sinalizar uma redução no ritmo da alta de juros, o BC não abandonou por completo o tom hawkish.

Em outro trecho do comunicado pós-Copom, a autoridade monetária diz que “diante do aumento de suas projeções e do risco de desancoragem das expectativas para prazos mais longos, é apropriado que o ciclo de aperto monetário avance significativamente em território contracionista.”

“Isso indica que novas altas ao longo do ano não são descartadas, e que a depender do cenário, a previsão de fechamento em 11,75% ao ano para 2022 pode ficar rapidamente no retrovisor”, alerta Idean Alves, sócio da Ação Brasil Investimentos.

Para Mauro Morelli, estrategista-chefe da Davos Investimentos, o Banco Central deixa uma margem caso a situação econômica e a inflação mudem até a próxima reunião. No entanto, ele acredita que o aumento deve ser menor que 1,5 ponto-percentual no encontro de março.

“Todas as atenções agora devem ficar para os próximos números de inflação, para ver se esse movimento que o Banco Central sinalizou agora vai ser cumprido ou se vamos ter que voltar para um aumento igual aos 150 pontos-base que vimos hoje ou algo significativamente mentor”, diz Morelli.

Foco em 2023

Durante reside do InfoMoney, a economista Luana Miranda, da Hole Asset, disse que ao não cravar a magnitude do ajuste da próxima reunião, o Banco Central quis “preservar graus de liberdade”.

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“Até a próxima reunião, o Copom pode mudar de ideia em relação ao tamanho do ciclo [de aperto monetário]. Ainda há muitas informações para acompanhar. Da última reunião [do ano passado] para cá, alguns indicadores pioraram”, diz Luana.

A economista também destaca que o Banco Central “rolou” o horizonte relevante da política monetária mais para 2023 do que 2022. “Quanto mais o BC aumenta o peso de 2023 nas ações dele, menor é a necessidade de juros esperada, pois a desancoragem de expectativas para 2023 está bem menor que em 2022”, explica Luana.

Para Maria Cândido, da HCI Make investments, há possibilities da ata da reunião de fevereiro ser menos vaga do que o comunicado em relação aos próximos passos da autoridade monetária. “É bom ficarmos atentos à ata da reunião do Copom na semana que vem, para saber se o tom vai se manter aberto sobre a alta no próximo encontro”, conclui.

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