No meio do tiroteio instalado na política nacional – com projéteis de vários calibres zunindo em todas as direções –, esta semana ficou claro um clima de tensão, e certa dose de desespero de alguns postulantes e partidos, nas primeiras  refregas­­ da campanha ao Palácio do Planalto, que ficam mais agressivas, à medida que os dias avançam para outubro da ida às urnas no primeiro turno, e é preciso mostrar, desde já, “quem de fato tem farinha no saco para vender na feira”. O ditado brizolista ganhou força na polêmica e explosiva entrevista do ex-juiz Sérgio Moro (Podemos), em Brasília, à Rádio Metrópole, do apresentador e ex-prefeito de Salvador, Mario Kertész , emissora de larga audiência e prestígio na capital e no estado da Bahia.

A conversa com o ex-ministro da Justiça e Segurança Pública repercutiu no país, mas causou tremores e mais estragos nos principais núcleos de poder do governo federal (a começar pelo gabinete do presidente Jair Bolsonaro e desvãos no Palácio do Planalto) e em Fortaleza, capital cearense, onde o candidato do PDT, Ciro Gomes, ouviu a mais dura e desassombrada resposta, no terreno da ética e dos princípios da política, dada por Moro, em reação às freqüentes ofensas pessoais que tem recebido do pedetista. Num dos momentos mais quentes da entrevista, de lances afiados e perfurantes como ponta de baioneta, o ex-magistrado fez pontaria no flanco vulnerável do ex-ministro de Dilma – mas balas ricochetearam na direção de Bols onaro – e disse não se intimidar com bravateiros ou com xingamentos. Ex-aluno de Harvard (centro acadêmico de debates de fama mundial) Moro afirmou que, em um debate, venceria qualquer um dos três candidatos (incluindo Lula), que mais o agridem pessoalmente.

“(Ciro) acha e vem dizer que ser corajoso é ficar ofendendo as pessoas, falando palavrões? Ele vem com essas bobagens porque sabe que não tem argumentos”. E lembrou o seu combate a corruptos e corruptores e à perigosos bandidos comuns. “Se é para falar de coragem, european tive processo contra Fernandinho Beira Mar, contra a quadrilha dele, passei a minha vida de juiz combatendo o crime e a corrupção. Não fiz sozinho, contei com ajuda e colaboração de bons policiais, competentes e íntegros, é claro. No governo enfrentei o PCC. Isso não é coisa simples não. Isso é colocar a vida em risco, não em benefício próprio ou por bravata, mas pelo país”, desabafou o entrevistado. Ciro sentiu a paulada, de imediato. E pediu a Mário Kertész para mediar um debate dele com o candidato do Podemos “ainda esta semana”. Desespero é pouco (ou não?).

No barco governista o impacto foi talvez ainda maior, a partir da percepção de que começa a ruir a tese da polarização Lula x Bolsonaro. Se isso acontecer, tudo indica, será depois do primeiro turno. É preciso aguardar com lucidez, competência e jogo de cintura, os fatos políticos. Até aqui, o nome de Moro é o melhor qualificado, nas pesquisas, para representar a opção de centro (ou Terceira By way of). Em giro pelo Brasil, iniciado na Paraíba, o candidato do Podemos anunciou, no fim da entrevista a Kertész, que em breve visitará a Bahia. O ex-magistrado demonstra que sabe jogar e conhece de estratégias. Além disso, sinalizou estar bem assessorado para o corpo a corpo eleitoral, no qual é calouro. O “mito” e seus aliados do Centrão sentem a aproximação do ex-ministro em seus calcanhares. O resto a conferir.
Vitor Hugo Soares é jornalista, editor do website online weblog Bahia em Pauta. E mail: [email protected]



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